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26/05/2010 - 14h04

OCDE melhora perspectivas de recuperação econômica em seus países

EFE
Paris, 26 mai (EFE).- A recuperação econômica nos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) é mais sólida agora que em novembro, segundo seu relatório semestral de perspectivas, que adverte sobre riscos ligados a um eventual "reaquecimento" dos emergentes e à crise da dívida pública.

A OCDE revisou para cima as expectativas para seus países-membros, tanto para este ano quanto para o próximo, para 2,7% (oito décimos percentuais a mais que em novembro) e 2,8% (três décimos acima), respectivamente.

Em seu relatório divulgado hoje, a OCDE aponta que, em um contexto de expansão mundial a um ritmo em torno de 4,75%, Estados Unidos e Japão estão aproveitando mais diretamente o empurrão das economias emergentes asiáticas que a zona do euro, afetada por uma forte desconfiança dos mercados sobre as contas públicas de alguns de seus países.

A zona do euro terá que se conformar com um aumento de seu Produto Interno Bruto (PIB) de 1,2% em 2010 e de 1,8% em 2011, contra os 3,2% para os dois anos nos EUA.

Dentro dos países que utilizam a moeda única europeia, três deles continuarão sofrendo uma redução do PIB este ano: Grécia (-3,7%), Irlanda (-0,7%) e Espanha (-0,2%).

O secretário-geral da OCDE, José Ángel Gurría, ressaltou hoje que as turbulências nos mercados nos últimos meses colocaram em evidência a necessidade de uma maior coordenação das políticas dos países da zona do euro, que deveriam constituir "uma união fiscal de fato".

O diagnóstico da organização é que, embora o plano para salvar o euro tenha acalmado as turbulências dos mercados, "a fragilidade da região está longe de estar solucionada", porque os anúncios dos planos de ajuste podem não ser suficientes para restabelecer a credibilidade, mas têm que ser aplicados.

Para a OCDE, a consolidação fiscal é o principal desafio enfrentado agora por seus países-membros, que deve vir antes do corte das despesas. No entanto, é importante preservar medidas que favorecem o crescimento, como programas de inovação e de educação.

Também não descarta o recurso da alta de impostos, mas, neste caso, o conselho é de que devem concentrar-se nos "menos nocivos para o crescimento", ou seja, os que taxam o consumo e as emissões poluentes.

Outro dos grandes riscos que pesa sobre a economia global, e que aumentou desde o final de 2009, segundo os autores do estudo, tem a ver com a velocidade e a magnitude dos fluxos de capitais nos mercados emergentes.

Trata-se, especificamente, de um possível reaquecimento de países como China e Índia, que teria que ser evitado com mudanças em suas políticas monetárias para evitar espirais inflacionários e a criação de bolhas em alguns setores em consequência de uma sobrevalorização dos ativos.

Sobre isso, a OCDE se pronuncia a favor de uma flexibilização do tipo de câmbio do iuane, já que aliviaria a pressão sobre a política monetária chinesa e ofereceria mais margem para combater a inflação interior no gigante asiático.

Os autores do relatório alertam que os desequilíbrios financeiros globais estão voltando a crescer, em grande medida devido aos excedentes comerciais da China, e que a resposta deve vir, em particular, de uma instância como o Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes), a partir de uma combinação de políticas macroeconômicas, estruturais e de taxas de câmbio.

Nessa linha, o economista-chefe da OCDE, Pier Carlo Padoan, lembrou que as recentes turbulências nos mercados por ocasião da dívida soberana na Europa servem para lembrar que "o período de instabilidade financeira significativa que começou em agosto de 2007 ainda não terminou".

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