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27/05/2010 - 17h30

Lula e Erdogan dizem que acordo com Irã segue exigências de potências

EFE
Brasília, 27 mai (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disseram hoje que o acordo nuclear negociado com o Irã é o mesmo que as potências, que agora o criticam, exigiam e tentavam há anos.

Em entrevista coletiva em Brasília após uma reunião, os dois afirmaram que, por enquanto, o Irã cumpriu o estipulado e deverá respeitar as promessas. Por isso, reforçaram que a adoção de sanções não será necessária.

"Se o documento (estipulado com o Irã) era o que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) pedia desde outubro e está muito perto do que (os Estados Unidos) nos pediram na carta que ambos recebemos, por que não aceitam agora o que está no documento?", questionou Lula.

Apesar de não ter especificado o conteúdo da carta recebida do presidente americano, Barack Obama, antes da viagem que fez a Teerã, Lula disse que as reivindicações foram incluídas no acordo assinado pelo Irã.

Segundo Lula, as potências que possuem armas nucleares alegavam que não era possível confiar no Irã, que o Governo de Teerã não queria se sentar à mesa para negociar e que não cumpre o prometido.

"Estabelecemos um prazo de sete dias para que o Irã apresentasse sua proposta à AIEA, o que já foi feito; outro de 30 dias para que entregue seu urânio e outro de um ano para que o receba enriquecido. Era tudo o que eles queriam", afirmou o presidente em referência às exigências das potências do Conselho de Segurança da ONU.

Erdogan atribuiu as críticas à "inveja" de alguns países que tentavam a negociação. "Os que criticam o processo são invejosos. Trabalhamos no que eles exigiam e esperavam, e conseguimos", disse o primeiro-ministro da Turquia, que está hoje no segundo de seus quatro dias de visita oficial ao Brasil.

"Estamos trabalhando pela paz mundial e não precisamos da permissão de ninguém para agir ou não. Estamos felizes em conseguir um sucesso diplomático. Os dois países são membros não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU e, por isso, têm responsabilidade com a paz", acrescentou Erdogan.

No acordo, Brasil, Irã e Turquia acertaram as bases para que as autoridades iranianas entreguem ao Governo turco 1,2 tonelada de urânio enriquecido a 3,5%, para um ano depois receber 20 quilos a 20%.

A troca é considerada uma garantia de que o Irã não está enriquecendo urânio para fabricar armas nucleares e de que o material que precisa é para programas pacíficos.

O acordo foi alcançado durante o encontro entre Lula e Erdogan na semana passada com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. O objetivo é evitar a adoção de novas sanções ao regime dos aiatolás.

Apesar do esforço, nos últimos dias alguns membros do Conselho de Segurança, principalmente os EUA, mostraram dúvidas sobre o real alcance do acordo.

"Agora, após o compromisso assumido pelo Irã, é necessário que esses países digam claramente se querem construir possibilidades de paz ou possibilidades de conflito", afirmou Lula.

"Acho que o Irã está cumprindo até agora o que prometeu. Esperamos as respostas da AIEA para ver os próximos passos. A AIEA tem a carta do Irã", acrescentou.

Lula disse ainda que o sucesso do processo dependerá de que os países do Conselho de Segurança estejam dispostos a negociar. "Se alguém não estiver disposto, não haverá acordo. É necessário arejar a cabeça dos negociadores para que saiam pensando na paz e não na guerra", explicou.

"No momento, não há espaço para sanções porque o Irã cumprirá (o prometido). Prosseguiremos nossos esforços até o fim porque consideramos que a única forma de servir à paz mundial é com essas iniciativas", afirmou, por sua vez, Erdogan

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