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27/05/2010 - 16h57

Obama assume responsabilidade do acidente e diz que Governo cuida da situação

EFE
Teresa Bouza
Washington, 27 mai (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse hoje que a British Petroleum opera sob a direção do Governo e não ao contrário no desastre do Golfo do México.

A Casa Branca é acusada pelos críticos de não ter tomado as rédeas do desastre.

"A ideia de que o Governo federal ficou à margem e durante as últimas quatro ou cinco semanas deixou a BP tomar uma série de decisões não é correta", afirmou Obama em entrevista coletiva na Casa Branca.

Ele ressaltou que "desde o momento em que o desastre começou, o Governo federal esteve a cargo da resposta" e insistiu que a BP é "responsável" pela "espantosa" catástrofe.

Lembrou, além disso, que qualquer "grande decisão" tem que receber o sinal verde do comandante da Guarda Costeira dos EUA, Thad Allen, e que a BP opera sob a constante supervisão do Governo.

Allen foi quem disse hoje que o procedimento para selar de forma definitiva o poço do Golfo do México com uma injeção de fluidos pesados e cimento iniciado ontem parece estar funcionando, embora ainda seja cedo para determinar se a operação terá sucesso.

A incapacidade até agora da BP de fechar o poço, aberto no dia 20 de abril após a explosão de uma plataforma petrolífera operada pela empresa, levou diferentes políticos a pedirem que o Governo tire a multinacional britânica da operação e se coloque à frente.

Obama afirmou hoje que isso não é possível já que a BP tem "a melhor tecnologia" para fechar o poço.

Segundo os cálculos divulgados pelo Serviço Geológico dos EUA, a cada dia entre 1,9 e 3,8 milhões de litros de petróleo são jogados no mar, o que transforma o derrame no pior da história do país.

A estimativa é muito superior a divulgada pela BP, que mantinha que o derrame rondava os 800 mil litros de óleo.

Obama se disse "frustrado e zangado" por cada dia que passa sem conseguir conter o vazamento, mas destacou que o Governo opera com um sentido constante de "urgência".

Admitiu, isso sim, que houve "um sentido de autocomplacência" por parte do Governo na hora de planejar a resposta no caso do pior cenário possível se materializar.

Diversas cadeias de televisão mostraram imagens do poço jogando petróleo no mar enquanto Obama falava sobre o tema.

O presidente criticou o que descreveu como anos de "corrupção" no Serviço de Gestão de Minerais (MMS), a agência encarregada de supervisionar as explorações de petróleo e gás nos EUA.

Disse que o novo ministro do Interior, Ken Salazar, começou a "limpar" a agência, que depende do departamento que ele dirige, após assumir o posto, embora tenha reconhecido que "não houve urgência suficiente" no ritmo com o que se implementaram as mudanças.

O governante também assumiu "a responsabilidade" por isso, mas acrescentou que não há provas que "algumas das práticas corruptas que tiveram lugar antes tenham se repetido sob a atual Administração".

Horas antes da entrevista coletiva de Obama, foi anunciada a renúncia da responsável do MMS, Elizabeth Birnbaum, que chega poucos dias depois que um relatório descreveu como os inspetores da agência recebiam representantes do setor.

Obama descreveu hoje as conclusões do relatório como "atrozes".

Acrescentou que o desastre no Golfo sublinhou a necessidade de reformas adicionais para impedir que uma situação similar se repita e de uma maior aposta em energias limpas e renováveis.

O presidente, que recebeu hoje os resultados de uma investigação para determinar os motivos do acidente no Golfo, anunciou que as explorações de petróleo já planejadas em dois pontos do litoral do Alasca foram suspensas.

Além disso, cancelará todas as permissões pendentes de concessão no Golfo do México e a permissão para realizar explorações no litoral da Virgínia.

A isso soma-se a manutenção da atual moratória e a suspensão da emissão de novas permissões para perfurar em águas profundas durante seis meses.

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