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27/05/2010 - 12h28

Plano de economia de Zapatero é aprovado por apenas um voto de diferença

EFE
María Luisa González Madri, 27 mai (EFE).- Por um só voto de diferença, o Governo espanhol consegui aprovar seu polêmico plano para reduzir o déficit público.

O decreto-lei que estabelece a redução dos salários dos empregados públicos, o congelamento das aposentadorias e o corte do investimento foi aprovado em uma votação tensa com 169 votos a favor (todos os deputados socialistas), 168 contra e 13 abstenções.

A abstenção de 10 deputados nacionalistas catalães de centro-direita da Convergência e União, junto à da União do Povo Navarro e da Coalizão Canária, facilitou o plano do Governo de José Luis Rodríguez Zapatero de levar adiante as medidas controversas que pretendem evitar a crise.

A rejeição do Parlamento, segundo os analistas, não só é uma catástrofe para o Executivo socialista, mas uma péssima mensagem para os mercados financeiros que têm à Espanha na mira a semanas por causa da crise grega.

As medidas de economia que pretendem diminuir o déficit público a 3% em 2013 foram reivindicadas pela União Europeia.

Para o Partido Popular (PP), que com 153 deputados é o principal partido da oposição na Espanha, seu voto contra não significa que se oponha à redução do déficit público, mas ao modo como o Executivo o colocou, qualificado de "improvisado, insuficiente e injusto".

"O plano simboliza o fracasso de toda sua política, não só da econômica", afirmou o líder do PP, Mariano Rajoy, que deseja suceder Zapatero à frente do Governo da Espanha e que perdeu em duas ocasiões, em 2004 e 2008, uma disputa eleitoral com o dirigente socialista.

Para Rajoy, Zapatero é "o principal problema da economia espanhola".

Ponto no qual o porta-voz dos nacionalistas catalães, Josep Antoni Duran i Lleida, concorda, embora sua abstenção tenha facilitado a aprovação do plano. Ele defende que o "problema" é Zapatero "e seu Governo".

Por isso, o aconselhou a pensar em convocar eleições, não imediatamente, mas em um horizonte próximo, assim que a reforma trabalhista que o Executivo negocia com os patrões e os sindicatos e o Orçamento Geral do próximo ano estejam prontos.

Os outros dois grupos minoritários, a União do Povo Navarro e a Coalizão Canária, que somaram seus três votos aos 10 dos catalães na abstenção, justificaram sua postura como uma forma de evitar um mal maior e redundaram no argumento de Duran i Lleida de que fizeram isso para que a "Espanha não caia em um poço mais profundo".

Após o debate fontes do Executivo disseram que "O Governo está só, mas não está débil".

Já a porta-voz parlamentar dos 'populares', Soraya Sáenz de Santamaría, disse que seria "um ato de responsabilidade" que o Governo convocasse eleições.

Os próximos pleito gerais na Espanha estão previstos para 2012.

Zapatero, que deveria ir ao Brasil para participar do III Fórum da Aliança de Civilizações, que patrocina junto com ao primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan, suspendeu a viagem para concentrar-se nas medidas anticrise.

O próprio Zapatero anunciou sua mudança de planos aos jornalistas no Parlamento após o acirrado debate que, segundo os analistas, evidenciou a grande solidão do Governo socialista, que com seus 169 deputados não tem maioria absoluta no Parlamento e precisa de apoios pontuais de outras forças.

Com as medidas aprovadas hoje, o Executivo pretende economizar 15,250 bilhões de euros entre 2010 e 2011 e reduzir o déficit público a 3% em 2013.

De todas as medidas incluídas no plano de economia, o congelamento das aposentadorias em 2011 é a que causou a maior rejeição.

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