UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

01/06/2010 - 17h55

BP inicia nova operação para conter o vazamento no Golfo do México

EFE
Washington, 1 jun (EFE).- A British Petroleum (BP) pôs hoje em andamento uma nova e arriscada operação para tentar conter o derrame no Golfo do México que, segundo o Governo dos Estados Unidos e a própria empresa, poderia aumentar temporariamente o fluxo de petróleo.

A nova tentativa é feita 43 dias depois do começo do vazamento e após a BP admitir no fim de semana o fracasso do procedimento conhecido como "top kill", em que a multinacional buscava tapar o poço mediante uma injeção de fluxos pesados.

A operação implica serrar com a ajuda de robôs submarinos o encanamento conectado à parte superior do sistema de prevenção de explosões (BOP), um aparato cheio de válvulas que não conseguiu fechar o poço como deveria quando a plataforma operada pela BP explodiu no dia 20 de abril.

A empresa pretende colocar uma cúpula sobre o BOP que, se funcionar segundo o esperado, recolheria o petróleo e o transferiria para um navio na superfície.

O comandante da Guarda Costeira dos Estados Unidos, Thad Allen, disse hoje que após o fracasso do "top kill" os planos para tapar o poço foram abandonados e os esforços estão concentrados em tentar conter o derrame.

Assumindo que essa nova tentativa tenha sucesso, Allen informou que poderiam ser necessários mais três dias antes que a BP possa bombear o óleo para a superfície.

Advertiu, além disso, que a operação poderia aumentar temporariamente o vazamento de petróleo "em até 20%", uma estimativa que a BP também leva em conta.

Carol Browner, assessora em temas energéticos da Casa Branca, descreveu essa possibilidade como "profundamente preocupante".

Tanto o comandante da Guarda Litorânea como Browner lembraram, além disso, que o início da temporada de furacões do Atlântico torna a operação mais arriscada.

"Hoje começa a temporada de furacões e nos disseram que vai ser ativa", afirmou Browner, que assinalou que se um furacão chegar à área, o barco que tem que colher o petróleo pode não permanecer no local.

Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que caso seja provado as leis foram violadas no derrame do Golfo seu Governo levará os culpados aos tribunais.

Em uma entrevista no Jardim da Casa Branca para falar do trabalho de uma comissão independente que averiguará o episódio, Obama declarou que os integrantes desse painel contarão com todo seu apoio para esclarecer os fatos "nos leve isso onde nos leve".

A comissão, que se reuniu hoje pela primeira vez, terá como missão investigar as causas do vazamento para garantir que um episódio similar não se repita.

Obama disse que se as leis atuais não bastam para fazer frente ao desastre, serão modificadas, e se o Governo tem que endurecer sua supervisão, também o fará.

O procurador-geral da Louisiana, Buddy Caldwell, afirmou hoje que o estado utilizará parte dos US$ 25 milhões de ajuda recebidos pela BP para entrar com um processo pelo derrame.

Caldwell não indicou contra quem a ação será dirigida, embora a BP desponte como o alvo mais provável.

A companhia petrolífera deu à Louisiana e outros estados do Golfo um total de US$ 25 milhões para fazer frente às despesas relacionadas com o derrame.

A medida de Caldwell coincide a anúncio do secretário de Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, que anunciou hoje a abertura de uma investigação judicial para determinar se os responsáveis pelo derramamento de petróleo no Golfo do México violaram a lei.

Holder visita hoje à área pela primeira vez e deve falar com os responsáveis dos estados afetados sobre os possíveis processos legais contra as empresas responsáveis pelo acidente.

O Serviço Geológico dos EUA, uma agência científica do Governo, disse na quinta-feira que o derrame do Golfo do México é o pior na história dos EUA e já jogou entre 71 e 147 milhões de litros de petróleo no mar.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host