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01/07/2010 - 17h30

Governo português justifica veto à venda da Vivo

EFE
Lisboa, 1 jul (EFE).- O Governo português voltou a justificar hoje seu veto à venda da Vivo para a Telefónica, mas ficou praticamente só na defesa dessa "bomba atômica", como a imprensa se refere ao uso da "ação de ouro" sobre a Portugal Telecom (PT).

A própria empresa de telecomunicações, o principal partido de oposição e numerosos especialistas e analistas de empresas e meios de comunicação se mostraram contra o uso por parte do Governo socialista de ações com direitos especiais consideradas por Bruxelas incompatíveis com a legalidade.

Só apoiaram a decisão do primeiro-ministro português, José Sócrates, os pequenos partidos da esquerda marxista, que normalmente se preocupam mais com as pressões contra a política econômica e com as medidas de ajuste impostas pela crise.

Sócrates insistiu hoje em defender o uso das ações privilegiadas, que além de ter sobre a PT, o Estado também exerce em outras grandes empresas.

"A Telefónica estava equivocada se achava que podia seguir com uma oferta sem levar em consideração os interesses estratégicos expressados claramente pelo Governo", diz o primeiro-ministro em entrevista ao "Financial Times".

Sócrates usou argumentos similares quando justificou ontem o recurso à "ação de ouro" logo após o término da assembleia da PT na qual o Governo vetou a decisão de 74% dos acionistas de vender à Telefónica - por 7,150 bilhões de euros - a participação de 30% que a empresa portuguesa tem na Vivo.

Os mais contrariados parecem os acionistas lusos da PT e seus diretores, que anunciaram hoje consultas "jurídicas" para esclarecer os aspectos legais do veto ao confirmar que a Telefónica prorrogou sua oferta pela Vivo até 16 de julho, quando Bruxelas pode ter transformado já em história a "ação de ouro" da Portugal Telecom.

Até o início da assembleia, muitos analistas previam uma derrota da Telefónica, que foi privada do voto da maior parte de suas ações na PT (10%) e viu rejeitada sua proposta de dar um suculento dividendo aos acionistas com a venda da Vivo.

Mas após a vitória do "sim" à venda, a Presidência da assembleia, em uma decisão questionada por acionistas e diretores da PT, pediu e admitiu o voto do Estado que anulou todos os demais.

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