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08/07/2010 - 10h10

Milhares de pessoas protestam contra a reforma da Previdência na Grécia

EFE

Atenas, 8 jul (EFE).- Cerca de 20 mil pessoas - 11 mil segundo a Polícia - protestaram hoje em Atenas de forma pacífica contra a reforma da Previdência, em um novo dia de greve geral que paralisou o transporte e a administração pública na Grécia.

Os sindicatos asseguraram que 20 mil se reuniram diante do Parlamento em protesto pela tramitação da lei que impõe cortes nas aposentadorias, embora tenham reconhecimento que a adesão à manifestação ficou abaixo do esperado.

Giannis Panagopoulos, presidente da Confederação de Trabalhadores da Grécia (GSEE) que representa 1,5 milhão de empregados, declarou à Agência Efe que "a resposta nos postos de trabalho foi muito alta, perto de 80%".

Mesmo assim, admitiu que a participação na rua "foi baixa" e atribuiu à paralisação total do transporte, "o que torna difícil o acesso dos manifestantes ao centro".

Na mesma linha se expressou a União de Funcionários Civis (Adedy) que relacionou a pouca participação nas manifestações também a falta de transporte.

Um porta-voz da Adedy declarou à Efe que "as pessoas não saíram às ruas, mas faltaram ao trabalho".

O único incidente foi registrado ao fim de uma manifestação nos limites da Universidade de Atenas, onde um grupo de manifestantes agrediu um policial à paisana.

Conforme a Polícia, os manifestantes em Atenas não superaram os 11 mil, embora tenha ressaltado que os protestos "transcorreram de forma pacífica".

O centro de Atenas ficou fechado ao trânsito desde o início da manhã até depois do meio-dia, o que gerou grandes congestionamentos.

Muitos comércios abriram hoje apesar dos pedidos dos sindicatos de que fechassem as portas em protesto às medidas de economia adotadas pelo Governo para sanear as contas públicas.

Os protestos respondem à reforma do sistema de Previdência aprovado preliminarmente nesta madrugada no Parlamento grego durante uma sessão extraordinária, embora hoje a Câmara deva referendar a normativa artigo por artigo.

O novo modelo eleva a idade média da aposentadoria para os 65 anos, aumenta de 35 para 40 anos de contribuição para obter a pensão máxima, equipara a idade de aposentadoria feminina à masculina e reduz o valor dos pagamentos em média em 7%.

Apesar da rigidez das medidas, as pesquisas divulgadas por vários meios indicam que a metade dos gregos considera a reforma necessária para a solvência dos cofres públicos.

A reforma faz parte do plano de austeridade que a Grécia fechou com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para obter 110 bilhões de euros em créditos para salvar ao país da falência.

Adedy informou à Efe que na próxima semana será realizado um novo protesto por causa da votação no Parlamento da reforma do sistema de Previdência dos funcionários, que afeta 500 mil pessoas.

Mais de cem voos domésticos e internacionais foi alterado ou cancelado devido à greve de quatro horas dos controladores.

Além disso, oito conexões de navio a partir da Grécia continental às ilhas foram canceladas e muitas outras sofreram atrasos.

A greve afetou também à administração pública, o atendimento de saúde - salvo os casos de urgência - e as empresas públicas.

Os jornalistas aderiram à greve, o que na prática representa um vazio informativo na Grécia.

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