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11/07/2010 - 06h04

Mercado de roupas usadas na Albânia sofre com crise em países ricos

EFE
Mimoza Dhima.

Tirana, 10 jul (EFE).- A crise econômica europeia ameaça arruinar oss 'Gabi', mercados de roupas usadas muito populares na Albânia, porque recebe cada vez menos peças de qualidade dos países ricos da Europa Ocidental.

Quase todos os vendedores dizem que as vendas caíram e o dinheiro "desapareceu".

"Estamos recebendo pequenas quantidades há quase um ano e cada vez mais nos chega roupa de péssima qualidade que as pessoas compram como trapo para lavar carros", explicou Rushit, um dos vendedores de um 'Gabi', à Agência Efe.

Esta escassez tem relação com o fato de que os europeus ocidentais estão usando suas roupas por mais tempo em vez de jogá-las fora ainda em bom estado, com faziam antes.

Durante os 20 anos da democracia albanesa, o mercado movimentou milhões de euros na venda de roupas para todas as camadas sociais deste pobre país dos Bálcãs.

Todas as manhãs, centenas de carros e automóveis repletos de sacos de roupa de segunda mão se dirigem aos diversos 'Gabi' que existem desde a capital albanesa, Tirana, até os cantos mais isolados do país.

Em alguns lugares, as roupas são vendidas no chão e a céu aberto, enquanto em outros lugares há prateleiras provisórias sob tetos de papelão, amianto e palha.

Um punhado de abastecedores atacadistas compra a mercadoria em armazéns de coleta de roupa usada em países ricos como Suíça, Itália e Alemanha.

Ali, as roupas costumam ser vendidas por quilo em 'sacos cegos', ou seja, sem mostrar o que há dentro.

A maioria destes pequenos compradores e revendedores é de ciganos, chamados 'Gabi' nos tempos do comunismo, que começaram com o negócio que veio a levar o mesmo nome após a queda da ditadura de Enver Hoxha em 1990.

O ditador isolou a Albânia do mundo e obrigava o povo a se vestir com as roupas fabricadas do país.

Mesmo 20 anos depois, os albaneses continuam ansiosos por comprar roupa ocidental. Até agora, o 'Gabi' foi o ideal por oferecer as melhores marcas do mundo a preços muito baixos - menos de dez euros.

Para atrair os clientes, se recorre a todo tipo de tática, como alto-falantes, gritos, tambores, rimas, danças e até avisos por telefone quando chega a nova mercadoria.

Os vendedores oferecem de tudo: sapatos, calças, vestidos, brinquedos, cremes, perfumes, cortinas, lençóis, cuecas, cintos e bolsas.

Até agora, os mercados recebiam a visita de "todo mundo, esposas de políticos, apresentadores de televisão, estrangeiros, camponeses, professores, estudantes, porque vendemos grifes a preço de banana", declarou à Efe a cigana Diana.

"Há anos embelezamos as mulheres e homens albaneses, enquanto nós só conseguimos o suficiente para o pão de cada dia de nossa família", lamentou Sanie, mãe de cinco filhos.

"Toda minha família se veste aqui. A roupa nas lojas é muito cara e, além disso, estraga depois da segunda lavagem. A daqui é muito bonita e resistente", diz Meri, que acabara de comprar sapatos brasileiros.

Nos últimos anos, graças a este negócio, alguns ciganos conseguiram construir casas de dois ou três andares e comprar carros luxuosos.

"Antes, entravam na Albânia caminhões carregados de milhares de toneladas de roupa, enquanto agora mal se vendem 300 a 400 toneladas ao mês em todo o país. Este negócio está morrendo", lamentou Fatjon.

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