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16/07/2010 - 20h41

Cautela com a contenção do vazamento no Golfo do México

EFE
(Atualiza com declarações do almirante Thad Allen).

Washington, 16 jul (EFE).- A Casa Branca e a petroleira BP expressaram nesta sexta-feira um cauteloso otimismo no segundo dia sem vazamento de petróleo no Golfo do México em meio a sinais de que a tampa colocada sobre o poço funcionou conforme o previsto.

A BP selou nesta quinta-feira o poço por meio de um obturador instalado sobre o sistema de prevenção de explosões (BOP), um complexo sistema de válvulas para interromper o vazamento surgido a partir da explosão da plataforma operada pela empresa em 20 de abril, quando 11 funcionários morreram.

Os resultados dos testes no poço não são ideais por enquanto, mas os exames continuarão pelo menos seis horas por mais seis horas, informou hoje o Governo dos Estados Unidos.

O coordenador da luta contra o vazamento no Golfo, o almirante Thad Allen, indicou em sua entrevista coletiva diária que a pressão registrada na nova estrutura de contenção instalada sobre o poço não é suficientemente alta para impedir que o petróleo esteja vazando por outras fendas, um dos possíveis problemas.

A pressão continua aumentando, embora lentamente, indicou o almirante.

Ele indicou que os testes de resistência do obturador continuarão por mais seis horas, no mínimo, antes de a BP decidir se reabre a estrutura para deixar que o petróleo flua.

Allen indicou que os resultados "em geral, são bons", mas não perfeitos.

Segundo ele, as possíveis razões para que a pressão não tenha subido ao nível que se esperava são duas: ou a jazida pode estar começando a se esgotar, após despejar petróleo durante três meses ininterruptamente; ou pode haver algum vazamento que até o momento não foi detectado.

"Não sabemos qual é a causa porque não sabemos a condição exata do poço", manifestou o almirante.

Na atualidade, a pressão é de 6,7 mil psi (471 quilos por centímetro quadrado), abaixo do ideal, 7,5 mil psi (526 quilos), mas acima dos 5 mil psi (351 quilos por centímetro quadrado) que indicariam sem dúvidas que haveria outro(s) vazamento(s).

Kent Wells, vice-presidente da BP, disse hoje em entrevista coletiva por telefone que a pressão dentro do poço aumenta progressivamente de acordo com o esperado, embora tenha detalhado que são necessárias outras análises adicionais.

A pressão alta é uma boa notícia, pode ser um indício de que o poço está em bom estado. Wells assinalou que uma das principais preocupações é a possível presença de fugas no encanamento para o mar, embora tenha mencionado que as leituras de pressão obtidas após o fechamento das válvulas são positivas.

Os testes que são realizados podem ser prolongados pelo período de 48 horas, um prazo que começou às 16h25 (de Brasília) da quinta-feira, quando o petróleo deixou de fluir.

O diretor explicou que o fato de que a pressão aumente dentro do tampão colocado sobre o obturador é um sinal de que o petróleo não está emanando por outro lado.

"A pressão que vemos é consistente com as análises de engenharia da BP", indicou Wells, quem assinalou que se trata de um aumento "muito estável".

Uma vez concluídos os testes de pressão, a BP e o Governo teriam a opção de deixar o poço fechado à espera da conclusão da construção de um alternativo que é apontado como a solução definitiva para o desastre ecológico no Golfo.

Mesmo assim, a alternativa mais provável, a julgar pelas declarações na quinta-feira do almirante da Guarda Litorânea, Thad Allen, é a de abrir o obturador e permitir que o petróleo flua pelas tubulações de contenção.

A bomba tem capacidade para abrigar até 80 mil barris de petróleo, que são transferidos para vários navios na superfície por meio de encanamentos.

Pelas últimas estimativas oficiais, o poço ficou expelindo petróleo para o mar a um ritmo entre 35 mil e 60 mil barris diários.

BP e o Governo poderiam voltar a ativar o sistema em caso de um furacão obrigar ao deslocamento dos navios contêineres na superfície, o que evitaria que o combustível fluísse livremente para o mar em caso de tempestades.

"É uma boa notícia, já que conseguimos deter o fluxo", disse hoje o presidente dos EUA, Barack Obama, durante breves declarações no jardim da Casa Branca.

"Ao colocar esta tampa, o petróleo não pode estar saindo por outro lado, o que poderia ser ainda mais catastrófico", chamou atenção o presidente americano.

Mesmo assim, aconselhou cautela porque o problema não está totalmente resolvido até que não se materialize "a solução definitiva", ou seja, o poço alternativo.

"Avançamos nessa direção, mas não quero que nos precipitemos", alertou o governante da Casa Branca.

Obama adiantou que as tarefas de perfuração do novo poço "estão ligeiramente mais velozes do que o previsto", mas alertou que "não se trata só de fazer o buraco", mas também de instalar as peças para que o equipamento possa começar a funcionar "e isso é delicado".

Bobby Jindal, governador da Louisiana, um dos quatro estados afetados pelo vazamento, junto com a Flórida, Mississipi e Alabama, assegurou em comunicado estar "cautelosamente otimista" diante dos últimos avanços.

Obama lembrou hoje que embora a última tentativa da BP tenha alcançado êxito ainda restam pela frente todas as atividades de limpeza, um trabalho que descreveu como "urgente" e que poderá se prolongar durante anos.

O vazamento de óleo no Golfo do México começou após a explosão, em 20 de abril, da plataforma petrolífera Deepwater Horizon, administrada pela BP. Dois dias depois, a plataforma afundou e deixou aberto, no fundo do mar, um poço de petróleo, por onde vazava o minério.

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