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16/08/2010 - 06h42

Japão desacelera seu crescimento e é superado pela China

EFE
Jairo Mejía.

Tóquio, 16 ago (EFE).- A economia do Japão sofreu uma forte detenção brusca no trimestre abril-junho, quando cresceu apenas 0,4% e se viu superada pela China, cada vez mais perto de tirar o título de segunda potência econômica mundial que pertence aos japoneses.

Segundo os dados divulgados hoje pelo Governo japonês, a economia do país cresceu nesse período 0,4% a ritmo anual e 0,1% em relação ao trimestre precedente, o que representa um avanço muito mais moderado ao do trimestre janeiro-março (4,4% e 1,1%, respectivamente).

Esse débil crescimento do Japão no período abril-junho, muito abaixo das expectativas, foi motivado por menores avanços das exportações e do consumo interno, enquanto a China mantém sua rápida ascensão para se transformar na segunda potência econômica atrás dos EUA.

O Governo japonês reconheceu que o valor do PIB japonês no trimestre reportado foi em termos nominais (sem levar em conta a variação dos preços) de US$ 1,288 trilhão frente a US$ 1,33 trilhão da China.

A economia chinesa, que cresceu nesse período 10,3% e espera fechar 2010 com um aumento superior a 9%, já ficou no ano passado muito perto dos US$ 5,07 trilhões do PIB japonês, ao atingir US$ 4,98 trilhões.

Muitos esperam que a China passe no ano corrente seu vizinho, que se debate entre medidas de estímulo econômico, uma monumental dívida pública equivalente a 200% do PIB e uma previsão de crescimento inferior a 3% para este ano.

O Japão, que saiu da recessão há um ano, registrou também um crescimento mais moderado que a economia americana, que em abril-junho subiu 2,4% a ritmo anual, e que a alemã, que se expandiu 2,2% frente ao primeiro trimestre do ano.

O Japão perdeu força porque o consumo privado, responsável por 60% do PIB, quase não cresceu em abril-junho, enquanto as despesas de capital, que medem os investimentos empresariais, avançaram somente 0,5%, o pior resultado em três trimestres.

Para o resto do ano, o Japão terá que enfrentar a persistente força do iene, próximo a seu máximo em 15 anos e que prejudica a recuperação da potente indústria exportadora japonesa.

Além disso, o crescimento econômico japonês terá que enfrentar o fim dos incentivos governamentais para a compra de produtos ecológicos - desde automóveis a eletrodomésticos - entre setembro e dezembro, que poderiam lastrar também os dados de consumo interno.

O Japão também luta contra a persistente deflação, que corta o crescimento e o faz depender em grande parte da demanda externa, liderada pela China, o principal parceiro comercial da economia do arquipélago.

O Japão é a segunda maior economia mundial há quatro décadas, para o que ajudou nos anos 80 o chamado "milagre econômico" japonês que disparou seu poder industrial e exportador, então um dos maiores temores para as multinacionais americanas.

Os analistas não esperam um ressurgimento japonês a médio prazo, já que o Governo do primeiro-ministro, Naoto Kan, se propôs abordar o combate à imensa dívida pública do país, que põe em risco sua saúde fiscal e não facilita um aumento do gasto público.

No entanto, o Governo não espera a volta da recessão pois a marcha das economias asiáticas e de outros países emergentes, assim como a recuperação das nações ricas, permitem sustentar certo otimismo.

Os investidores receberam hoje os dados do PIB com baixa no seletivo Nikkei, que caiu 0,61% e fechou perto dos nove mil pontos, muito abaixo dos cerca de 38 mil do final dos anos 80, quando o Japão não via limites para seu crescimento econômico.
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