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23/08/2010 - 21h30

Mineradores se preparam para enfrentar maior resgate subterrâneo da história

Santiago/Copiapó (Chile), 23 ago (EFE).- Os 33 mineiros apanhados há 18 dias a 700 metros de profundidade em uma mina do norte do Chile pediram hoje água, comida e oxigênio e se preparam para enfrentar o maior resgate subterrâneo da história.

"Estamos todos sãos e com fome", disseram os mineradores nesta segunda-feira em sua primeira comunicação com o exterior. Eles estão presos na jazida San José na região de Atacama, 830 quilômetros ao norte de Santiago.

O ministro de Mineração, Laurence Golborne, a cargo da operação de salvamento, explicou que os mineradores presos, cujo cativeiro foi registrado este domingo por uma microcâmera, se encontram a salvo nas entranhas da mina e não têm problemas de saúde, mas sim "muita fome".

"Disse-lhes que todo o país está com eles, que vamos ajudá-los", enfatizou o ministro.

Além de água, remédios e alimento líquido, os socorristas começaram a mandar oxigênio empregando cilindros que fazem o ar descer até o refúgio onde os mineradores estão, utilizando o conduto da sonda que ontem os encontrou sãos e salvos.

Encorajada por uma descoberta que muitos consideram "milagrosa", a equipe de resgate liderada pelo engenheiro André Sougarret, da mineradora estatal Codelco, se prepara agora para iniciar uma longa e complicada operação que durará pelo menos três meses.

Paralelamente, os médicos se encarregarão de sua recuperação física e os psicólogos lhes darão apoio emocional para que aguentem todo este tempo nas melhores condições.

O Ministério da Saúde pedirá assessoria à Agência Espacial Americana (Nasa) para manter os mineiros em boas condições.

Além disso, lhes enviará um questionário para conhecer seu estado físico e psicológico com perguntas como "quem está organizando o grupo?", "quando foi a última vez que você comeu?" ou "está ferido, machucado ou doente?".

Os próprios mineradores terão que colaborar em seu resgate preparando a zona na qual se encontram para facilitar os trabalhos que serão realizados desde a superfície.

Uma escavadeira gigantesca de quase 30 toneladas chegou hoje desmontada em peças até a jazida San José procedente da Divisão Andina de Codelco.

A máquina perfurará a rocha a uma velocidade de 20 metros por dia para escavar um túnel vertical de 66 centímetros de diâmetro pelo qual os operários serão resgatados.

Paralelamente ao avanço dos trabalhos de resgate, também se aguçam a controvérsia entre as autoridades e os donos da mineradora San Esteban, responsável pela exploração da jazida acidentada.

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, anunciou nesta segunda-feira um castigo para os responsáveis pelo acidente na mina San José.

"Vamos sancionar todos os que tenham responsabilidades neste acidente, tanto civis como penais", disse o líder durante um ato no Palácio de la Moneda no qual anunciou a criação de uma comissão para a segurança no trabalho que elaborará recomendações para melhorar as condições dos operários chilenos.

Desde ontem as autoridades receberam mensagens de apoio de diversas personalidades, entre elas os presidentes da Bolívia, Evo Morales; Colômbia, Juan Manuel Santos; Equador, Rafael Correa, e Peru, Alan García, assim como do chefe do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

O Executivo criticou os donos da mina, Alejandro Bohn e Marcelo Kemeny, por não terem adotado as medidas de segurança que seriam capazes de evitar o acidente.

Bohn disse a hoje a "Rádio Cooperativa" que ele e seu sócio não têm "nenhuma intenção de seguir com a jazida San José por enquanto " e acrescentou que não há certeza de que a empresa possa seguir pagando o salário dos trabalhadores".

O ministro Golborne reprovou Bohn por não assegurar o pagamento dos salários às famílias dos trabalhadores, que já anunciaram a apresentação de uma ação contra os empresários.

Além disso, Brunilda González, prefeita de Caldera, localidade próxima à mina, interpôs hoje uma ação contra os responsáveis do acidente, que ainda não estão claros, unindo-se a uma investigação aberta pela promotoria contra os donos da mina e os funcionários públicos que permitiram sua reabertura apesar dos acidentes ocorridos nos últimos anos.

Enquanto isso, no acampamento "Esperanza", que há duas semanas abriga às famílias dos 33 operários, o clima era de otimismo nesta segunda-feira.

O cartaz pendurado nas cercanias da mina que diz "A fé move montanhas" parece ter hoje mais sentido do que nunca, já que muitos consideram um milagre que todos os trabalhadores tenham sobrevivido após 18 dias presos a mais de 700 metros de profundidade.
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