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24/08/2010 - 16h31

Resgate dos 33 mineradores presos no Chile deve se prolongar até o fim do ano

Santiago do Chile, 24 ago (EFE).- O resgate dos 33 operários que estão presos há 19 dias em uma mina no norte do Chile deve se prolongar até o fim do ano, reconheceu hoje o presidente Sebastián Piñera, enquanto as equipes de resgate se preparam para a tarefa.

"Provavelmente eles não vão estar conosco na superfície para o bicentenário (18 de setembro), mas vão estar conosco para o Natal e o Ano Novo", ressaltou o líder após participar de um ato religioso em homenagem aos trabalhadores.

Os mineradores, que ficaram presos no dia 5 de agosto na mina San José, próxima a cidade de Copiapó, cerca de 830 quilômetros de Santiago, começaram a receber regularmente alimentos e atendimento médico e psicológico, a fim de prepará-los para uma longa espera sob a terra.

Também foram enviados colírios, pois alguns apresentam doenças, olhos secos e irritados devido ao pó em suspensão na mina.

Os especialistas e as autoridades se surpreenderam com as boas condições dos mineradores presos, o que se deve a forma como eles se organizaram. Sob a liderança de Luis Urzúa, um guia de 54 anos, eles racionaram ordenadamente seus poucos alimentos, distribuíram tarefas para dispor de luz e água e se mantiveram unidos.

O resgate esta a cargo de uma máquina de 30 toneladas que pode demorar 120 dias para escavar um túnel de cerca de 70 centímetros de diâmetro que servirá para trazê-los à superfície. Os trabalhadores estão presos em um refúgio na mina a 700 metros de profundidade.

Nesta terça-feira, os encarregados do resgate preparavam a instalação da máquina de 30 toneladas, que deve começar as escavações em dois dias.

Andrés Sougarret, que dirige as perfurações, confirmou que uma terceira sonda se aproxima da galeria na qual os mineradores estão, o que permitirá melhorar a comunicação com eles e as condições em que se encontram.

"Agora vamos poder dividir as funções. A primeira sonda vai ser para a entrega de alimentos. A segunda vai ser para nos comunicar-nos permanentemente e queremos que a terceira nos permita melhorar a ventilação", explicou.

Nesta terça-feira os encarregados do resgate também começaram a planejar a rotina que os mineradores deverão seguir até o resgate.

O ministro da Saúde, Jaime Mañalich, disse que sua maior preocupação são as infecções que podem afetar os trabalhadores por viver em condições tão extremas.

Acrescentou que a dieta também deve ser conduzida com cuidado, para evitar que eles engordem. Além disso, os trabalhadores deverão fazer exercícios abdominais a fim de não complicar o resgate.

Após o ato religioso, o presidente Piñera reiterou que seu Governo seguirá fazendo "todo o humanamente possível" para ter os trabalhadores na superfície no final de ano.

Também agradeceu às famílias dos mineradores, que desde o primeiro dia aguardam na entrada da mina, "porque sua fé movimentou montanhas e todos os chilenos, que tomaram esta dor como sua".

"Hoje quero agradecer a ajuda que Deus nos deu e a ajuda de tanta gente que participou deste trabalho", disse Piñera, que também destacou os chamados de solidariedade que recebeu de outros chefes de Estado.

O ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, anunciou que pedirá ao Conselho de Defesa do Estado (CDE), que empreenda ações judiciais para recuperar as despesas que o Governo teve na busca e resgate dos operários presos na mina.

Isso perante declarações dos donos da jazida, que pensam em declarar falência e pedir ao Governo que se responsabilize pelos salários dos trabalhadores.

O Governo, disse Hinzpeter, tomará parte nas ações judiciais empreendidas pelo Ministério Público e fará todos os esforços para que os proprietários da mina assumam suas responsabilidades.

"Não vamos deixar nenhum flanco aberto em matéria legal", enfatizou o ministro, que considerou "descarada" a atitude dos donos.

O cônsul da Bolívia no Chile, Wálker San Miguel, também foi hoje à mina e visitou os parentes de Carlos Mamani, o operário boliviano que está entre os presos.

O cônsul conversou com os sogros de Mamani, a que transmitiu uma saudação do presidente da Bolívia, Evo Morales.
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