UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

25/08/2010 - 15h17

Embora resgate demore, mineradores devem estar fascinados, diz sobrevivente

Montevidéu, 25 ago (EFE).- O uruguaio Roberto Canessa, um dos sobreviventes da denominada Tragédia dos Andes, afirmou que os 33 mineradores chilenos presos sob a terra há 20 dias devem estar "fascinados" de saber que vão ser resgatados, ainda que daqui a alguns meses.

"Eles passaram de condenados a morte a pessoas livres, portanto, embora ainda demore, devem estar fascinados", afirmou Canessa em declarações publicadas hoje ao jornal "El Observador".

A forma como os operários irão receber a notícia que os trabalhos de resgate ainda vão demorar preocupa os familiares e especialistas.

"É como se dizem que você está condenado à morte e depois que se enganaram, e te diagnosticam com uma hepatite", destacou o uruguaio, cardiologista de profissão.

Canessa, de 57 anos, foi um dos sobreviventes da Tragédia dos Andes após passar 75 dias nos picos nevados do Chile depois da queda do avião que levava, em 1972, à equipe de rugby uruguaia Old Christian de Montevidéu para Santiago.

O uruguaio encontrou pontos em comum entre a sua experiência e a dos mineradores.

"É a situação de desapego máximo do homem. Você não tem mais nada a perder, tudo que sobra é a vida. Todo o resto vai embora e você tem que ficar amigo da vida", afirmou.

"Se você usa a lógica, está morto, mas ali aparecem homens capazes de se sobrepor à tristeza e ter humor", acrescentou Canessa.

Segundo o uruguaio, para evitar o "desespero" é bom "viver um dia de cada vez" e não pensar no que está pela frente.

Para Canessa, quando forem resgatados os mineiros "serão considerados heróis, ressuscitados".

Ele advertiu que "o fenômeno da popularidade vai afetá-los, porque eles vão sair de dentro de uma mina para as manchetes nacionais".

Canessa e Fernando Parrado foram os dois uruguaios que, uma vez finalizada a sua busca, saíram caminhando pelos picos nevados dos Andes e depois de três dias foram localizados pelo vaqueiro chileno Sergio Catalán.

Um grupo dos uruguaios sobreviventes retorna anualmente aos picos dos Andes para prestar homenagem a seus companheiros mortos ali.
Hospedagem: UOL Host