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13/09/2010 - 13h21

AIEA acusa Irã de obstruir inspeções de programa nuclear no país

Jordi Kuhs.

Viena, 13 set (EFE).- O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, acusou hoje Teerã de obstruir as investigações do controvertido programa nuclear iraniano por meio do veto sistemático de inspetores da entidade.

"As repetidas objeções do Irã sobre a designação de inspetores com experiência no ciclo de combustível nuclear no Irã dificultam o processo de inspeção", declarou Amano na abertura da reunião do Conselho de Governadores da agência, em Viena.

O Irã rejeitou recentemente a entrada de dois especialistas - ambos de países em desenvolvimento - que tinham trabalhado previamente na inspeção do programa nuclear da República Islâmica.

Esses dois casos se somam a outros 38 nos últimos três anos, o que levou Amano a deixar claro às autoridades iranianas que essas objeções, embora legalmente possíveis, não estão colaborando com o organismo em suas investigações.

Em entrevista coletiva, o responsável máximo do organismo manifestou que as "repetidas objeções de inspeções são problemáticas" para o desenvolvimento da investigação.

Ele também manifestou preocupação com o fato de que inspetores com provada experiência não possam voltar ao Irã. Com isso, a AIEA tem de enviar novos controladores à República Islâmica, os quais conhecem menos as usinas do país.

Diante do plenário do Conselho de Governadores, Amano advertiu hoje que Teerã "não oferece a cooperação necessária para poder confirmar que todos os materiais nucleares no Irã tenham uso pacífico".

Ao mesmo tempo, ele expressou plena confiança no profissionalismo e imparcialidade dos inspetores vetados.

O embaixador do Irã para a AIEA, Ali Asghar Soltanieh, rejeitou essas acusações à imprensa em Viena e lembrou que o organismo conta com um grupo de 150 especialistas que podem realizar inspeções em seu país.

Soltanieh indicou que, segundo o acordo de salvaguardas (controles) que mantém com a AIEA, o Irã tem direito a vetar qualquer inspetor sem dar satisfação alguma e chegou a qualificar todo o assunto de "ridículo".

O representante iraniano ressaltou, além disso, que o último relatório técnico de Amano sobre o Irã está "politizado" e "não é equilibrado", o que "põe em perigo a credibilidade do organismo".

Amano tinha criticado em seu relatório, que forma a base das deliberações hoje do Conselho de Governadores, que o Irã segue ignorando as resoluções da AIEA e do Conselho de Segurança da ONU que, entre outros assuntos, exigem a suspensão do programa de enriquecimento de urânio.

Até agora, o Irã produziu cerca de 2,8 mil quilos de urânio pouco enriquecido, suficiente, segundo os especialistas, para construir entre duas e três bombas nucleares, desde que o material seja enriquecido ao nível de pureza de 90%.

Amano criticou também que o Irã continua sem informar com antecedência sobre o planejamento de novas instalações nucleares e que leva adiante a construção de um reator de água pesada, que tem o plutônio como um de seus produtos secundários, outra matéria-prima para fabricar bombas atômicas.

O Conselho de Governadores da AIEA se encontra reunido nesta semana em Viena para analisar os avanços nas inspeções na República Islâmica realizadas pelo organismo.

Estados Unidos e aliados acusam o Irã de estar trabalhando em um programa nuclear com fins bélicos, algo que Teerã rejeita, alegando que seu programa atômico só satisfaz necessidades médicas.

A AIEA inspeciona há sete anos as atividades nucleares da República Islâmica, sem poder dar à comunidade internacional garantias sobre as intenções pacíficas do Irã.

O Conselho de Segurança da ONU já adotou quatro rodadas de sanções diplomáticas, comerciais e nucleares contra o Irã para forçar mais cooperação do Governo em Teerã.
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