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13/09/2010 - 20h39

BM descarta "maldição das matérias-primas" na América Latina

São Paulo, 13 set (EFE).- O Banco Mundial (BM) descartou hoje um impacto adverso no desenvolvimento econômico da América Latina devido à abundância de recursos naturais, mas alertou sobre os riscos de uma gestão ineficiente das matérias-primas e incentivou as instituições a aplicarem políticas econômicas a longo prazo.

"A 'maldição das matérias-primas' tem um mecanismo real, mas é um risco, não um destino", disse o economista-chefe adjunto do BM para a América Latina e o Caribe, Francisco Ferreira, durante a apresentação de um relatório sobre a matéria na sede da Federação de Indústrias de São Paulo (Fiesp).

Com estas palavras, Ferreira fez referência à teoria defendida por reputados economistas de que a abundância de recursos naturais trunca o crescimento dos países a longo prazo.

O especialista explicou que a América Latina segue tendo uma "vantagem competitiva" em recursos naturais e destacou que 93% dos moradores da região vive em países "exportadores líquidos" de matérias-primas.

Para o economista, existem preocupações "válidas", como o risco de "doença holandesa", expressão aplicada à perda de competitividade de uma economia nos mercados internacionais por excedente de divisas, que pode levar a um processo de desindustrialização.

Também assinalou a alta volatilidade dos preços das matérias-primas, questões ambientais e a luta das instituições pela "captura" da receita que os recursos naturais geram como alguns dos riscos para a economia.

Ferreira insistiu que "existem recursos para administrar esses riscos e evitar perigos" entre os quais citou instituições sólidas e transparentes, a criação de fundos econômicos a longo prazo e a diversificação da oferta de recursos para resistir ao efeito cíclico dos preços.

O especialista ressaltou a importância da irrupção da China como destino das exportações latino-americanas.

Segundo o relatório, intitulado "Recursos naturais na América Latina e no Caribe: Indo além de altas e baixas", os Estados Unidos deixaram de ser destino de 44% das vendas ao exterior de matérias-primas latino-americanas e passaram a receber 37% das exportações, entre 1990 e 2008.

Nesse mesmo período, as vendas à China aumentaram mais de dez vezes, até representar 10% do total.

O documento também mostra que a crescente demanda dos mercados asiáticos "está contribuindo para uma recuperação do crescimento econômico na medida em que a região sai da crise global".

"A rapidez da recuperação da América Latina e sua resistência à crise econômica pode ser atribuída, em parte, ao aumento das exportações de matérias-primas da região para as economias emergentes da Ásia", segundo o economista-chefe para a América Latina e o Caribe do BM, Augusto de la Torre.

O economista do BM John Nash, um dos autores do relatório, disse que o Brasil constitui um exemplo "extraordinariamente bom" de diversificação de exportações de matérias-primas ao longo do tempo e citou, como exemplo contrário, o que sucedeu na Venezuela com o petróleo.

De acordo com o relatório, no continente latino-americano, ao contrário de outras regiões ricas em recursos naturais como a África, não há sinais de "maldição política", ou seja, indícios de que as riquezas naturais debilitem as instituições democráticas e aumentem o risco de conflitos políticos.

"À margem de seus recursos naturais, a democracia é cada vez mais sólida, com exceção de alguns países", concluiu Ferreira, sem precisar quais são os casos.
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