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15/09/2010 - 09h21

Japão intervém pela 1ª vez desde 2004 para desvalorizar o iene

Patricia Souza.

Tóquio, 15 set (EFE).- A alta do iene frente ao dólar até níveis recordes em 15 anos forçou hoje a primeira intervenção do Governo japonês no mercado de divisas desde 2004, destinada a proteger uma economia muito dependente das exportações.

Depois de o dólar se depreciar hoje até 82,88 ienes, seu nível mais baixo desde maio de 1995, o Ministério de Finanças do Japão ordenou de surpresa uma venda em massa de ienes e compra de dólares que levou a moeda americana a superar a barreira das 85 unidades.

A intervenção foi efetuada de forma unilateral pelas autoridades japonesas e respaldada pelo Banco do Japão (BOJ), que expressou seu desejo de contribuir para uma taxa de câmbio estável.

Desde o início deste ano, a moeda japonesa se apreciou 10% frente ao dólar, quando as multinacionais contemplam uma taxa de câmbio de cerca de 90 ienes e em um ambiente econômico marcado pelo lento crescimento e uma deflação que retrai o consumo.

Embora Tóquio não tenha especificado sua escala ou duração, agentes de bolsa citados pelo jornal econômico "Nikkei" afirmaram que a venda inicial pode ter sido de 300 bilhões de ienes (2,725 bilhões de euros) e que as autoridades japonesas continuaram comprando de forma intermitente durante o dia.

No fechamento do mercado de divisas de Tóquio, o dólar era cotado a 85,45 ienes, frente a 83,21 ienes de ontem. A moeda japonesa se depreciava também frente ao euro, que valia 110,97 ienes frente à cotação de 107,33 desta terça-feira.

A Bolsa de Tóquio, que tinha aberto em baixa, elogiou hoje a decisão das autoridades monetárias ao fechar com alta de 2,34%, até seu nível mais alto em um mês.

Esta foi a primeira intervenção do Japão no mercado de divisas desde 16 de março de 2004, data em que finalizou uma longa campanha de 15 meses que implicou a venda de até 35,2 trilhões de ienes (319,38 bilhões de euros), então com US$ 1 valendo 109 ienes.

A medida foi tomada um dia após o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, ser confirmado no posto em uma eleição interna de seu partido, o que ontem incentivou ainda mais a compra de ienes, pois até agora se tinha mostrado reticente a intervir.

As autoridades japonesas agiram quando o dólar tocou o patamar de 82 ienes, mas são muitos os analistas céticos diante de uma medida que não foi respondida com intervenções semelhantes nas outras grandes áreas monetárias.

O ministro de Finanças japonês, Yoshihiko Noda, explicou hoje em entrevista coletiva que se busca frear "as excessivas oscilações nas taxas de câmbio" e não descartou mais intervenções no futuro caso persista a volatilidade.

Noda disse que o Japão, que cresceu 1,5% entre abril e junho, enfrenta uma situação complicada pela persistente deflação e que a valorização de sua divisa "afeta negativamente a estabilidade da economia e as finanças".

O resgate do iene era reivindicado há meses pelas grandes empresas japonesas, que veem como a força da moeda reduz seus lucros no exterior quando remetidos ao Japão, além de encarecer suas exportações e baratear as importações do Japão.

Ao mesmo tempo, um iene forte torna cada vez mais caro produzir no Japão bens como carros e produtos eletrônicos, cujas exportações são o motor de uma economia que durante anos se beneficiou da depreciação de sua moeda frente ao dólar e do euro.

Em meados de 2008, antes da crise econômica mundial, o dólar era cotado a 109 ienes, 23% a mais que o valor de ontem, e o euro valia cerca de 168 ienes, 35% a mais.

A intervenção de hoje se limitou ao dólar porque os Estados Unidos são o segundo mercado para o Japão, atrás apenas da China.
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