Atenas, 5 fev (EFE).- O governo da Grécia busca neste domingo acertar os detalhes de seus acordos com o grupo de entidades credoras conhecido como "troika" e com bancos internacionais para receber mais ajuda externa e obter um perdão parcial da dívida pública nacional em troca de mais reformas e austeridade econômica.
O primeiro-ministro da Grécia, o ex-banqueiro Lucas Papademos, se reuniria neste domingo às 15h locais (11h de Brasília) com os líderes dos três partidos que formam o governo de união nacional do país.
Por enquanto, não há encontros previstos nem com representantes da "troika" - formada pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) - nem com os bancos internacionais, representados por Charles Dallara, diretor do Instituto Internacional de Finanças.
Fontes do governo disseram que as negociações estão em uma fase delicada, e tudo depende agora da decisão dos líderes políticos gregos. "O acordo dos líderes políticos é necessário, mas não é certo", afirmou uma dessas fontes à Agência Efe em Atenas.
O encontro deste domingo, considerado fundamental para se chegar a um acordo com a "troika", terá a participação dos líderes do partido socialista Pasok, Giorgos Papandreou, da legenda conservadora Nova Democracia, Antonis Samaras, e do ultradireitista LAOS, Giorgos Karatzaferis, além do ministro das Finanças grego, o socialista Evangelos Venizelos.
Os políticos devem decidir neste domingo se aceitam ou não as condições exigidas pela "troika". Os principais temas de atrito são a exigência das entidades credoras de uma redução drástica dos salários no setor privado, a diminuição dos complementos de aposentadorias e várias medidas de redução de gastos públicos.
Sindicatos, entidades patronais e o governo advertem que a adoção das medidas exigidas provocaria ainda mais recessão e afastaria a perspectiva de recuperação econômica.
Os três partidos que apoiam o governo, especialmente os conservadores e os ultradireitistas, alertaram que não assinariam um acordo com uma redução do salário mínimo e dos suplementos de previdência.
Além disso, a "troika" pede cortes de gastos de 4,4 bilhões de euros, enquanto o governo busca um acordo para reduzi-los a 2 bilhões de euros, invocando dados econômicos que mostram o déficit de 2011 entre 9,1% e 9,3% do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo dos 10,5% estimados.
Neste sábado, Venizelos tinha advertido que "as negociações podem chegar a ponto morto por acaso, ou, inclusive, por mal-entendido". Ele disse também que havia "muita pressão e impaciência" por parte dos parceiros europeus da Grécia.