Buenos Aires, 22 fev (EFE).- Familiares de passageiros do trem acidentado nesta quarta-feira em Buenos Aires, que deixou 49 mortos e 600 feridos, continuam sua peregrinação pelos hospitais da cidade para descobrir o paradeiro de seus entes queridos.
"Não chegou ao trabalho, não está nos hospitais, não sabemos nada dela, esta é sua fotografia", se lamentava hoje diante das câmeras das emissoras locais o primo de uma jovem que viajava no trem acidentado.
Santiago Meza também buscava desesperado por sua filha Natalia Beatriz. "Não apareceu em nenhum hospital. Subiu ao trem em Merlo e ela sempre viajava no primeiro vagão", disse.
Já Luciano procurava por Matías e Natalia, seu irmão e sua cunhada, ambos de 33 anos, que tomaram o trem, como todos os dias, para ir ao trabalho e não chegaram.
"Busquei por todos os lados e não estão em nenhuma lista", relatou Luciano, confiante que seus parentes estão vivos e não apareceram ainda porque estão em estado de choque.
Para ajudar essas pessoas, as autoridades colocaram na estação Once, local do acidente, listas com os nomes dos feridos e dos hospitais aos quais foram conduzidos.
Os corpos são progressivamente conduzidos ao necrotério judicial, enquanto a maioria dos feridos já recebeu alta, embora centenas permaneçam ainda internados nos hospitais da cidade, que se mantêm em estado de alerta.
O acidente aconteceu às 8h30 (9h30 de Brasília), quando o trem, composto por oito vagões, entrou na estação Once, uma das mais movimentadas da capital, a uma velocidade de 26 quilômetros por hora e se chocou contra o sistema de amortecimento da plataforma.
O comboio procedia da cidade de Moreno e levava entre 800 e 1.000 passageiros, que em sua maioria se dirigia a seus locais de trabalho em Buenos Aires.
As autoridades abriram uma investigação sobre as causas do acidente, embora em um primeiro momento tenham levantado a possibilidade de uma falha nos freios.
Fevereiro é o mês mais negro para as tragédias ferroviárias no país. Nesse mês de 1970, 236 pessoas morreram na cidade de Benavídez quando um comboio bateu em outro que estava parado por uma falha mecânica.
Em fevereiro de 1978, 55 pessoas morreram no choque trem que chegava a Buenos Aires procedente da província de Tucumán com um caminhão.