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23/04/2012 - 14h37

Greve paralisa construção da hidrelétrica de Belo Monte na Amazônia

Da Efe, no Rio de Janeiro
  • Operários que trabalham na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira (PA)

    Operários que trabalham na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira (PA)

Uma greve indefinida em reivindicação por melhores condições de trabalho mantém paralisada nesta segunda-feira as obras de Belo Monte, a polêmica e enorme hidrelétrica que está sendo construída na Amazônia em meio a protestos de ecologistas e índios, e que será a segunda maior do país.

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada (Sintrapav) informou que cerca de 80% dos 7 mil responsáveis pelas obras da represa sobre o rio Xingu aderiram à paralisação.

Além disso, os manifestantes bloquearam a estrada entre a cidade amazônica de Altamira e o local da obra, que é a única via de acesso à represa, impedindo a chegada dos trabalhadores que não apoiam a greve.

O Consórcio Construtor Belo Monte, que reúne várias construtoras, admitiu que as obras estão completamente paralisadas mas se absteve de indicar qual é o grau de adesão da greve.

As empresas disseram que as negociações com os sindicalistas estão paralisadas desde quinta-feira, quando uma assembleia de trabalhadores aprovou o início da greve para o início desta semana.

Os trabalhadores reivindicam triplicar o subsídio que o consórcio oferece como ajuda alimentícia, desde R$ 100 até R$ 300 mensais, e a possibilidade de que os trabalhadores procedentes de outras regiões possam viajar para casa a cada três meses e não seis meses como acontece atualmente.

A empresa construtora aceita aumentar apenas em 16% a ajuda alimentícia e elevar os períodos de viagem dos emigrantes até sua casa de 9 a 19 dias, mas apenas a cada seis meses.

A greve deixa novamente uma dúvida sobre a possibilidade de que a hidrelétrica possa entrar em operação como estava previsto em janeiro de 2015, o que já foi admitido por algumas fontes oficiais.

A paralisação não é a primeira dos trabalhadores de Belo Monte e se soma a outras realizadas na construção das represas de Jirau e Santo Antônio, sobre o rio Madeira.

Além de demoras, a construção de Belo Monte também enfrentou protestos de ecologistas e exigências do Ministério Público que atrasaram a concessão da respectiva licença ambiental.

Belo Monte, segundo seu projeto, será a terceira maior hidrelétrica do mundo atrás da chinesa Três Gargantas e de Itaipu, compartilhada por Brasil e Paraguai.

A hidrelétrica deverá entrar em operação em 2015 após um investimento de US$ 10,6 bilhões e sua capacidade de geração será de no máximo 11.233 megawatts nas épocas de alta do Rio Xingu.

A obra é questionada por ecologistas, indígenas e pescadores por seus enormes impactos ambientais na Amazônia, e até a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA chegou a recomendar sua suspensão.

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