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11/04/2007 - 11h08

Juro futuro cai na BM&F em reação à mudança no BC

São Paulo - A projeção dos juros no mercado futuro da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) está em queda acentuada esta manhã, diante da notícia de que o diretor de Política Monetária do Banco Central, Rodrigo Azevedo, está deixando o cargo. A informação, divulgada em nota hoje cedo pelo BC, pegou o mercado de surpresa.

Como Azevedo era considerado um nome conservador, alinhado com o ex-diretor de Política Econômica, Afonso Beviláqua, responsável pela "parcimônia" na condução da política monetária, a reação do mercado foi de se proteger da notícia vendendo contratos futuros de DI (depósitos interfinanceiros) na BM&F.

Na verdade, profissionais reconhecem que Mário Mesquita, que comanda a diretoria de Política Econômica no lugar de Beviláqua, também é visto como defensor da política conservadora do BC na condução dos juros. Seja como for, como a saída de Azevedo não foi bem explicada e, efetivamente, há muita pressão sobre o Banco Central para redução da taxa Selic (juro básico da economia), não há como a notícia não pressionar para baixo as taxas futuras.

O dólar, ameaçando romper o piso dos R$ 2,00, tem sido um argumento forte para aqueles que defendem a aceleração do processo de alívio monetário. E, mesmo com as declarações do presidente do BC, Henrique Meirelles, de que as políticas monetária e cambial não mudam com a saída de Azevedo, porque são políticas da instituição, a mudança estimula a venda dos juros. "O mercado quer saber realmente os motivos da saída do Azevedo", diz um profissional.

Apesar das dúvidas do mercado, a indicação de Mario Gomes Torós para a diretoria de Política Monetária foi considerada positiva por todos os profissionais ouvidos pela Agência Estado. Entre as qualidades de Torós, foi destacada a sua experiência como operador de mercado. "Já tem muitos economistas no BC e é bom que tenha sido escolhido um diretor com esse perfil", observa um analista.

Diante desse ambiente, o mercado de juros tende a ficar menos atrelado à volatilidade no exterior hoje, onde há grande expectativa com a ata do banco central americano. "Claro que o mercado vai acompanhar o mercado externo, mas a correlação tende a ser menor", observa um operador.

Por volta das 11 horas, o DI futuro com vencimento em janeiro de 2008 projetava taxa de juro de 11,86% ao ano no pregão viva-voz da BM&F. Ontem essa projeção encerrou a sessão em 11,88% ao ano. O DI de janeiro de 2009 projetava hoje 11,48% ao ano (11,52% ontem).

Lucinda Pinto
Hospedagem: UOL Host