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10/05/2007 - 09h59

OIT: mulher negra é maior alvo de discriminação no país

Brasília - Relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado hoje faz várias referências elogiosas ao Brasil. Cita a criação da Secretaria Especial de Direito das Mulheres e da Igualdade Racial como iniciativas importantes para tentar reduzir a discriminação no trabalho, ainda muito marcante no País. O estudo constata que, embora a situação tenha apresentado uma discreta melhora nos últimos 10 anos, ainda é extremamente significativa a desigualdade de gênero e raça no mundo do trabalho brasileiro.

"E não estamos falando de minorias. Mulheres e população negra representam 70% dos brasileiros", constata a diretora da OIT no Brasil, Laís Wendel Abramo. Mulheres negras são as que mais sofrem com a discriminação. Embora a situação deste grupo - o mais marginalizado no País - tenha melhorado significativamente, elas apresentam a menor taxa de participação no mercado de trabalho, menor taxa de ocupação, maior taxa de desemprego e menor rendimento.

A diferença, em 1995, era bem mais significativa. A taxa de ocupação de mulheres negras naquele ano era de 48,2%, enquanto que homens brancos, que figuravam no topo da lista, apresentavam 74,9%. Em 2005, a taxa de ocupação de homens brancos caiu para 73,3%, enquanto que mulheres negras passaram para 52,7% - o que representa um crescimento de 40,8%. Mulheres brancas também tiveram uma ampliação, mas num ritmo inferior: 22,4%, comparado com 2005.

População negra
A população negra também apresentou um crescimento expressivo na taxa de ocupação: 33,1% em comparação aos 15,1% do crescimento da população branca. Esta tendência para melhor distribuição do mercado de trabalho se deve principalmente ao aumento significativo da escolaridade das mulheres negras. Mas também ao fato de que, durante a crise econômica enfrentada na década de 90, homens com melhor qualificação e remuneração, foram os mais afetados.

É justamente na remuneração que a diferença entre homens, mulheres, brancos e negros se destaca. Ao se comparar o rendimento dos 50% dos mais pobres do mercado vê-se que mulheres negras recebem metade do que homens brancos. Em 2005, a média dos rendimentos da população mais pobre masculina era de R$ 632. Mulheres negras, por sua vez, receberam em média R$ 316. A diferença, no entanto, já foi bem maior. Em 1995, 50% dos brancos mais pobres recebiam R$ 715, enquanto mulheres brancas, R$ 223. Essa redução da diferença é atribuída a dois pontos: aumento real do salário mínimo e crescimento da escolaridade entre mulheres negras.

Lígia Formenti
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