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20/12/2007 - 17h48

Juros futuros disparam com inflação acima do previsto

São Paulo - Os juros futuros tiveram alta forte hoje na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), reagindo aos robustos índices de inflação anunciados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pelo IBGE. O contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2010 avançou a 12,69% ao ano, de 12,47% ontem; e o DI para janeiro de 2009 subiu de 11,88% ao ano ontem para 12,03% hoje.

O mercado já amanheceu sob o impacto de dois índice de inflação que superaram as estimativas dos analistas. Pela manhã, a FGV informou que o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) da segunda prévia do mês subiu 1,54%, ante 0,48% em igual prévia de novembro, e ficou muito acima da previsão mais pessimista dos economistas consultados pelo AE Projeções . A principal pressão veio dos preços dos produtos agropecuários no atacado, que dispararam 5,56%, o maior nível de alta desde novembro de 2002.

Também de manhã o IBGE divulgou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de dezembro, de 0,70%, dado superior ao teto das estimativas, de 0,65%. Além de pior do que o esperado, o IPCA-15 trouxe núcleos também mais elevados do que o previsto e índice de difusão acima de 60%, em 61,7%. Os alimentos foram responsáveis por mais da metade da taxa, com contribuição de 0,37 ponto porcentual no índice e alta de 1,73%.

Os dados acenderam a luz amarela no mercado e acentuaram as preocupações em relação ao IPCA fechado do mês de dezembro e do ano. Algumas instituições estão prevendo que o indicador possa atingir a casa dos 0,80% este mês, o que colocaria em risco o cumprimento da meta de inflação para este ano, de 4,5%. Até novembro, o IPCA acumula alta de 3,69%.

Assim, a perspectiva para a política monetária fica mais incerta, principalmente com relação à retomada dos cortes da Selic. Com o repique dos preços no fim de ano, os analistas temem pela inércia a ser carregada para 2008 e, no atual ambiente de economia aquecida - hoje o IBGE reforçou essa idéia ao informar que a taxa de desemprego em novembro recuou a 8,2%, a menor da série histórica -, a aposta de que a Selic vá subir pode ganhar força.

Denise Abarca
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