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03/04/2008 - 17h28

Bolsa sobe 1,28% e volta a ter ganho no ano; dólar cai pelo 3º dia

São Paulo - Vale e Petrobras mais uma vez ancoraram o desempenho positivo da Bolsa de Valores de São Paulo, influenciadas pela volta das compras dos estrangeiros. A Bolsa paulista a volta ao patamar de 64 mil pontos e o acúmulo de ganhos no ano.

O Ibovespa, principal índice, encerrou a sessão em alta de 1,28%, aos 64.175,0 pontos (maior pontuação desde 5 de março - 64.629,5 pontos).

No mês, a Bovespa tem alta acumulada de 5,26% e, no ano, voltou a subir: +0,45%. O volume financeiro negociado hoje totalizou R$ 5,650 bilhões.

O dólar caiu pelo terceiro dia seguido e fechou a R$ 1,718, com baixa de 0,58%. A moeda já acumula desvalorização de 2% em abril.

Trégua no exterior
Segundo analistas, a trégua no exterior, embalada pela percepção de que o pior da crise de crédito americana pode já ter passado, deu ânimo aos investidores para que voltassem a mercados atrativos, caso do Brasil.

E, aqui, a escolha natural são as blue chips (ações de primeira linha) Vale e Petrobras, que garantem a liquidez para uma fuga em momentos de maior aversão a risco.

As ações de ambas as empresas subiram. Vale ON teve alta de 1,26% e Vale PNA, de 0,78%, favorecidas ainda pelo reajuste de 86,67% acertado ontem para a pelota negociada neste ano com siderúrgicas do Oriente Médio e norte da África e pela notícia de que a agência de classificação de risco Moody's colocou a nota (rating) "Baa3" em moeda local e o rating "Baa3" em moeda estrangeira da Vale sob revisão para possível elevação.

Já a Petrobras descolou-se do comportamento do petróleo no exterior. Enquanto o produto recuou 0,95% na Bolsa Mercantil de Nova York, para US$ 103,83 por barril, as ações da estatal brasileira subiram, 1,45% as ON e 1,20% as PN. Hoje, a estatal anunciou que pretende construir a primeira fábrica de cascos de plataforma do mundo.

Se efetivar a obra, a nova estrutura permitira à estatal reduzir os custos de construção das unidades que serão instaladas para a produção de óleo em águas ultraprofundas (camada pré-sal) na Bacia de Santos.

No entanto, toda essa euforia não seria possível se os Estados Unidos não deixassem. Os investidores ficaram ressabiados por lá hoje, depois que o dado de auxílio-desemprego alarmou ao mostrar aumento de 38 mil pedidos na semana encerrada em 29 de março, para 407 mil, nível mais alto desde 17 de setembro de 2005.

Mão-de-obra
As previsões eram de uma variação de +4 mil. A preocupação, na verdade, recai sobre o relatório da mão-de-obra (payroll), que sai amanhã e para o qual há projeções de redução de 50 mil vagas criadas em março pela economia americana.

Apesar disso, os investidores mantiveram a tranqüilidade, principalmente depois de ouvir hoje do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke, em seu depoimento ao Senado dos EUA, praticamente o mesmo discurso feito ontem na Câmara.

Nas Bolsas de Nova York, o índice Dow Jones fechou em alta de 0,16%, o S&P, de 0,13%, e o Nasdaq, de 0,08%. As ações da Alcoa ajudaram a segurar o Dow Jones, com muitas compras relacionadas à expectativa de um bom balanço trimestral, programado para ser divulgado na segunda-feira.

(Claudia Violante)