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17/04/2008 - 07h51

Com alta do juro, dólar deve cair ainda mais

Brasília - O primeiro efeito da alta do juro já pôde ser sentido antes mesmo da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, no fim da tarde de ontem. A expectativa de elevação da taxa Selic fez o dólar cair para R$ 1,663, menor valor desde maio de 1999.

Para analistas, a alta do juro deverá reforçar a tendência de ingresso de recursos de curto prazo no País, contribuindo para maior valorização do real. Como a queda do dólar estimula as importações e torna as exportações menos competitivas, o efeito da pressão sobre a taxa de câmbio pode ser uma piora nas contas externas.

A entrada de recursos será estimulada porque vai aumentar a diferença entre os juros no Brasil e os cobrados nos principais mercados externos. Assim, os investidores serão incentivados a fazer as chamadas operações de "arbitragem", em que captam recurso lá fora e aplicam no mercado brasileiro, ganhando com a diferença.

O fluxo de dólares ao Brasil vem se mantendo forte, apesar da turbulência internacional. Nas duas primeiras semanas deste mês, segundo informou ontem o Banco Central (BC), entraram US$ 5,435 bilhões no País, valor maior que os US$ 4,362 bilhões de igual período de abril de 2007, quando a crise americana ainda não existia.

O aumento ocorreu até nos investimentos financeiros, os mais vulneráveis ao nervosismo do mercado. Nas duas primeiras semanas do mês, ingressou no País US$ 1,714 bilhão para aplicações financeiras, como títulos da dívida e ações. O volume foi 70% maior que o US$ 1 bilhão do mesmo período do ano passado. As operações de câmbio ligadas à balança comercial trouxeram US$ 3,721 bilhões, já que as exportações superaram as importações.

"A queda das taxas nos EUA e o aumento do juro no Brasil são um tremendo atrativo para o investidor estrangeiro, que continua ingressando no País", diz o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves. "Não conheço nenhum país com o mesmo nível de risco do Brasil que pague juros tão altos", reforça o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mário Battistel.

Diante disso, nem mesmo a alta de alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) afugentou o estrangeiro. "O aumento do diferencial de juros anulou completamente essa alíquota maior", diz o professor da Fundação Getúlio Vargas André Luiz Sacconato
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