UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

15/01/2009 - 09h29

Deflação surpreende e cresce aposta em queda da Selic

São Paulo - A surpreendente deflação registrada pelo IGP-10 em janeiro deve dar combustível às apostas mais agressivas para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a taxa básica de juros na próxima semana.

O indicador mostrou queda de 0,85%, bem abaixo do piso das estimativas colhidas pelo AE Projeções, que variavam entre -0,50% e -0,25%, com mediana de -0,34%.

Como a deflação dos IGPs reflete o desaquecimento da demanda e da atividade industrial, esse indicador deve ampliar a corrente de mercado que aposta em um corte de 0,75 ponto porcentual da taxa Selic, para o nível de 13% ao ano.

E pode colocar no debate, de forma mais efetiva, a hipótese de um corte de 1 ponto porcentual. "Uma deflação tão acentuada leva a crer que o Brasil está a caminho de uma recessão, o que abre espaço para o BC vir com cortes mais agressivos. Não tem como manter o cenário em vigor depois desse indicador", afirmou um operador nesta manhã.

Foram os preços no atacado e das matérias-primas brutas que puxaram a queda do IGP-10 em janeiro. O IPA agrícola caiu 1,56%, o IPA industrial recuou 1,47% em janeiro, enquanto as matérias-primas brutas tiveram deflação de 1,67%.

Esses resultados são reflexo da desaceleração da atividade e, portanto, aumentam a preocupação com o rumo da economia. "Os IGPs são sensíveis à alta do dólar, mas em nenhum momento sentiram o repasse do dólar para a inflação. Isso mostra que a atividade fraca não permite o repasse", observa um operador.

O dia deve ser, portanto, de queda das projeções para os juros futuros. O mercado deverá reavaliar suas apostas e corrigir suas posições. Outro evento importante hoje será o leilão de títulos públicos, que o Tesouro Nacional realiza no início da tarde.

A operação deve medir o apetite dos investidores por risco prefixado, que vem aumentando por causa do cenário de queda da taxa Selic.

Às 9h13, na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o contrato futuro de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2010 projetava taxa de 11,51% ao ano, ante 11,58% no ajuste de fechamento da sessão de ontem. O DI de janeiro de 2012 projetava taxa de 11,74% ao ano nesta manhã, ante 11,75% do ajuste ontem.
Hospedagem: UOL Host