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02/03/2007 - 20h21

Bolsa: analistas estão cautelosos e não descartam perdas adicionais

SÃO PAULO - Marcada por forte turbulência, a última semana foi bastante negativa para as negociações nos mercados acionários. Seguindo os passos das bolsas européias, norte-americanas e asiáticas, que registraram uma de suas piores semanas desde setembro de 2001, o Ibovespa acumulou fortes perdas de 7,92%, encerrando a sexta-feira cotado a 42.370 pontos. Nenhuma das 58 ações que compõem o índice registrou valorização no período.

Os mercados, que se encontravam muito próximos de suas máximas históricas, foram puxados pela forte desvalorização registrada pela bolsa chinesa. As especulações de que o governo chinês poderia tomar medidas restritivas em relação ao fluxo no mercado de capitais local e que poderiam também frear o crescimento do mais importante comprador de commodities do mundo pressionaram os mercados.

O clima de insegurança foi elevado ainda pelas preocupações de que a economia norte-americana poderá enfrentar, em termos de crescimento, momentos complicados nos últimos meses de 2007. Os altos preços do petróleo, a significativa valorização do iene frente ao dólar e o aumento das preocupações com o desempenho dos títulos imobiliários completaram esse cenário.

Analistas se mostram cautelosos com curto prazo

Mesmo com muitos economistas e analistas indicando que os fundamentos não foram bruscamente alterados e que a economia brasileira está melhor preparada para enfrentar crises internacionais, indicações positivas para os investimentos com prazos mais dilatados e que podem influenciar alguma recuperação na próxima semana, a percepção é de que o mercado acionário local deverá continuar pressionado nos próximos pregões.

"Em março, as tendências não são favoráveis para o mercado bursátil doméstico. Apesar de no longo prazo existirem perspectivas mais auspiciosas, com o País devendo avançar mais uma etapa, devido aos seus bons fundamentos econômicos, ficando a apenas um nível do chamado investment grade, o cenário de curtíssimo prazo neste mês, como um todo, não parece promissor", comentam os analistas do BB Investimentos.

A equipe da Ativa Corretora parece concordar: "com ou sem justificativa, o cenário não está completamente recuperado e, portanto, acreditamos em aumento da volatilidade das ações em função das incertezas advindas, principalmente, do mercado externo".

O que fazer?

Tendo como base a percepção dos especialistas da consultoria Lafis de que "a palavra-chave do mercado acionário continua sendo 'cautela', com os investidores mostrando aversão ao risco", a recomendação para os interessados em entrar no mercado é ter paciência e aguardar alguma melhora nos ânimos.

Para os menos avessos ao risco e dispostos a se aventurar no mercado, stops curtos e estratégias bem definidas são fundamentais. "Existem papéis com bons fundamentos que podem esboçar alguma recuperação já no curto prazo. No entanto, nestes momentos de maior insegurança, ganhos podem virar perdas em um piscar de olhos", disse um analista de uma importante corretora que preferiu não ser identificado.

Já para os investidores com perfil de longo prazo e que tenham carteiras ancoradas por ações com boas premissas fundamentalistas, a recomendação é sangue frio. A percepção é de que o mercado ainda opera com bons motivos para se recuperar no médio/longo prazo.

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