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09/10/2007 - 11h00

IPO para iniciantes: conheça mais sobre os conceitos que envolvem estas operações

SÃO PAULO - Passado o auge da crise nos mercados financeiros, o boom de IPOs visto no início de 2007 parece retomar seu fôlego. Este tipo de operação agrada a diversos investidores, porém, muitos ainda não estão familiarizados com seus termos e conceitos. Primeiramente, é importante definir o que é uma Initial Public Offering. Termo em inglês que significa "Oferta Pública Inicial", uma IPO nada mais é do que o mecanismo através do qual uma empresa abre seu capital e passa a ser listada na Bolsa de Valores. Em outras palavras, uma empresa de capital fechado, com número limitado de acionistas e sem ativos negociados na bolsa, realiza uma oferta pública inicial - seja de ações, units ou certificados de depósitos de ações - e passa a ser uma companhia de capital aberto com diversos acionistas que negociam os ativos desta empresa na bolsa. Oferta primária e secundária Outro ponto que gera dúvidas é a diferença entre uma oferta primária e uma oferta secundária de ações. Uma oferta primária corresponde à emissão de novas ações, ou seja, a base acionária da empresa aumenta. Ao vender novas ações ao mercado, os recursos obtidos com esta operação são embolsados pela empresa. Já a oferta secundária não implica no lançamento de novas ações, de forma que o montante total de ações que constitui o capital social desta empresa continua o mesmo. Este tipo de transação representa a venda de ações que estão em posse dos acionistas atuais da empresa para novos acionistas. Deste modo, os recursos obtidos pela oferta não são direcionados para a empresa, e sim para os acionistas vendedores. E o bookbuilding? Quando se diz que o preço da ação que está sendo ofertada será definido no procedimento de bookbuilding, você entende exatamente o que isto significa? O nome em inglês define bem tal processo, que é montar o livro de ofertas. De maneira bem simplificada, bookbuilding é a operação na qual o coordenador da oferta avalia, junto aos investidores, a demanda pelos papéis que estão sendo ofertados. Baseado na avaliação da empresa e das condições de mercado, o coordenador da oferta determina um intervalo inicial para o preço de lançamento destes papéis. O próximo passo do coordenador é entrar em contato com investidores institucionais (como gestores de recursos, fundos de pensão, seguradoras e outros) e verificar se estes estão interessados na oferta e quanto estão dispostos a pagar por cada papel. Cada investidor indica, formal ou informalmente, quantos papéis deseja comprar e qual preço está disposto a pagar. O coordenador tabula estas informações por ordem decrescente de preço, de forma a obter qual seria a quantidade acumulada a determinado preço ao atingir o número de papéis que estão sendo ofertados. Rateio Junto ao resultado do bookbuilding, anuncia-se o rateio da oferta, procedimento que deve ser feito caso a demanda supere a quantidade de ações ofertadas. Quando é necessário realizar o rateio das ações distribuídas, o valor que o investidor reserva na oferta não é atendido integralmente, ou seja, ele leva menos papéis do que desejava. Todas estas informações constam no prospecto Todas as informações referentes a uma oferta, como o número de ações que serão distribuídas, se a oferta é primária e/ou secundária, qual é o intervalo de preço que o coordenador da oferta estima, os procedimentos do bookbuilding, os critérios de rateio, entre outros, constam no prospecto da oferta. O prospecto nada mais é do que o documento que contém todas as informações necessárias para que os investidores possam avaliar os termos da oferta, os números financeiros e operacionais da empresa e os fatores de risco desta oferta. A recomendação é que o investidor sempre leia atentamente o prospecto antes de decidir se investe ou não nestas ações.
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