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02/01/2008 - 16h18

Alta no preço dos alimentos não se manterá em 2008, prevê FGV

SÃO PAULO - Considerado como vilã do orçamento em 2007, a alta no preço dos alimentos deve dar uma folga ao bolso do consumidor neste ano. De acordo com perspectiva da FGV (Fundação Getúlio Vargas), a valorização média dos alimentos, que ficou em mais de 10% no acumulado do ano passado, já é "razoável", sem espaço para novos avanços.

"Ainda não temos previsões numéricas, mas, qualitativamente, imagino que, em janeiro, ainda haja uma variação alta na inflação geral, só que motivada pela pressão dos itens de Educação", previu o coordenador do IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal) em São Paulo, Paulo Pichetti.

Variação comportada

De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (2), o IPC-S ficou acumulado em 4,6% no ano passado. Os demais grupos tiveram variação de preço "comportada", segundo Pichetti. "Apenas os alimentos tiveram elevação mais forte mesmo, fazendo com que a inflação geral ficasse acima da meta", lembrou. Veja:

Variação de preços
Grupo Acumulado em 2007
Alimentação 10,65%
Habitação 1,97%
Vestuário 0,99%
Saúde e cuidados pessoais 4,18%
Educação, leitura e recreação 3,94%
Transportes 1,35%
Despesas diversas 3,84%
Geral 4,60%
Fonte: IPC-S/FGV

Segundo o economista, os alimentos não devem apresentar saltos de preços tão grandes - como o feijão carioquinha, que dobrou de preço em 2007, por conta de uma melhora na safra. "Até o momento, parece que a produção está normalizada, sem problemas como os sentidos no ano passado", justificou.

Demanda aquecida

Em análise divulgada também nesta quarta, a consultoria Tendências divulgou que a valorização dos alimentos deve desacelerar de 12% no ano passado * para 4% nos próximos 12 meses. O motivo dessa quebra no ritmo é a demanda aquecida, menor apreciação cambial e aceleração dos preços administrados.

"É preciso que ocorra uma desaceleração nos preços dos alimentos para que a inflação se mantenha ao centro da meta", justificaram Marcela Prada, Gian Barbosa e Bruno Rezende, no documento de divulgação das perspectivas.

Preços administrados

Segundo os especialistas, os preços administrados (contas cujos reajustes são empregados pelo governo, como água, luz e gasolina) não vão mais exercer uma pressão de baixa na inflação, devendo passar de 1,8% para 4% de 2007 para 2008. Portanto, é fundamental que se observe alguma desaceleração na valorização da comida.

Na tabela abaixo, é possível verificar as expectativas, em alguns itens, que a consultoria tem para o fechamento de 2007 e de 2008.

Variação de preços*
Produto Em 2007 Em 2008
Feijão 108% -5%
Farinhas e massas 9% 2%
Tubérculos, raízes e legumes 27% -12%
Hortaliças e verduras 19% 3%
Carnes 22% 6%
Frango inteiro 16% 6%
Frango em pedaços 7% 5%
Leite e derivados 20% 6%
Panificados 7% 1%
Óleos e gorduras 11% zero%
Fonte: Tendências*Cálculo no âmbito do IPCA

* A Tendências utiliza como base a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), por isso que a variação nos preços dos alimentos é diferente à do IPC-S

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