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14/08/2009 - 15h51

Bancos privados vão voltar a ganhar mercado de crédito, diz Meirelles

SÃO PAULO - Um dia após o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter dito que os bancos públicos estão deixando os privados para trás, na concessão de crédito, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que as instituições privadas tiveram dificuldades na oferta de empréstimos somente durante a crise e que vão ganhar mercado assim que houver normalização do sistema.

"Isso não é historicamente um fato no Brasil", afirmou nesta sexta-feira (14). Ele explicou, de acordo com a Agência Brasil, que o fato de os bancos privados terem ficado para trás ocorreu em um período em que houve uma ação contracíclica dos bancos públicos, quando se registrou uma contração de crédito generalizada.

Bancos e crédito

Em relação ao fato de o Banco do Brasil ter se tornado o maior banco em ativos do País, o que incentivou a declaração de Mantega, o presidente do Banco Central justificou com a segurança que foi dada aos bancos públicos em meio à crise financeira.

"Eles puderam exercer com segurança um papel contracíclico de expansão do crédito e queda gradual dos spreads em direção à normalidade que vigorava antes do início da crise. Com isso, os bancos públicos ganharam mercado e é natural agora que o setor privado procure recuperar esse mercado, voltando a competir e a expandir crédito a taxas um pouco mais fortes", disse.

Na quinta (13), Mantega havia pedido cautela aos bancos privados para que não percam mercado. "Eles devem seguir o exemplo, senão vão comer poeira (...) Não há irresponsabilidade sendo cometida e o resultado se dá com padrões de eficiência. É uma lição para os bancos privados", disse, comentando os resultados do Banco do Brasil.

Resposta

Meirelles ainda disse, contrariando declaração dada esta semana pelo diretor-presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, que os bancos públicos não estão praticando "taxas insustentáveis" para a concessão de crédito.

Durante encontro do Lide (Grupo de Líderes Empresariais), que aconteceu na terça-feira (11), Setubal disse que "os bancos públicos estão reduzindo bastante as taxas para empréstimos, mas esse patamar de juros não é sustentável".

O executivo afirmou que os juros devem, de alguma forma, pagar todos os custos da instituição financeira. "A margem deve remunerar minimamente o capital", justificou. A explicação é de que todos os bancos necessitam de um capital livre para fazer frente a possíveis perdas.

"A cada R$ 100 emprestados, 11% precisam ser de capital disponível", exemplificou. "Para que o crédito cresça, é preciso que cresça a base de capital. O que está acontecendo, porém, é que o governo está injetando seu próprio dinheiro nos bancos públicos. Isso não é sustentável".

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