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14/08/2009 - 19h12

Comentário Semanal: bolsa supera volatilidade externa e fecha com leve valorização

SÃO PAULO - Em meio à costumeira combinação entre referências econômicas e corporativas, a segunda semana de agosto trouxe forte volatilidade aos mercados. No entanto, ao contrário da trajetória verificada neste início de semestre, as principais bolsas internacionais não foram capazes de superar o movimento de ajuste aos ganhos recentes, encerrando o período no campo negativo. A exceção coube à bolsa brasileira, que conseguiu acumular uma tímida valorização.

No Brasil, além dos indicadores sobre a saúde financeira do País, empresas de peso anunciaram seus números dentro da temporada de resultados trimestrais, que chegou ao fim na sexta-feira (14) após o fechamento dos mercados. Neste cenário, o Ibovespa superou a instabilidade externa e deu sequência ao ciclo de recuperação observado desde o início de junho, com ligeira alta de 0,55% acumulada na semana.

Por outro lado, a volta do clima de incertezas nos mercados acabou exercendo forte influência nas negociações envolvendo o dólar comercial, que interrompeu a trajetória de desvalorização verificada nas últimas quatro semanas com forte alta de 1,98% acumulada no período, reagindo também às novas intervenções do Banco Central no mercado à vista.

Referências contrastantes no exterior

No plano internacional, assim como nas últimas semanas, a divulgação de balanços corporativos referentes ao segundo trimestre continuou influenciando os negócios. Do lado positivo, a rede de supermercados Wal-Mart e a cervejaria Anheuser-Busch InBev divulgaram lucros acima das projeções dos analistas, ao contrário dos dados do Danske Bank e da varejista J.C. Penney, que amargaram prejuízos no período.

O noticiário ainda destacou o CIT Group, que após ameaçar entrar com pedido de concordata caso não conseguisse desenvolver seu plano de reestruturação, anunciou um acordo com o Fed para programar melhoras de gestão de risco, capital e liquidez. O banco Lloyds também ficou em evidência com os planos para uma oferta de ações no valor de £ 15 bilhões, enquanto o UBS enfrentou acusações de ajudar milhares de clientes a burlar o pagamento de impostos.

Com relação às referências econômicas, o grande destaque ficou com a decisão do Fomc (Federal Open Market Committee) de manter juro básico norte-americano na faixa entre 0% e 0,25% ao ano, menor patamar de sua série histórica. Além da já esperada decisão, o Fed informou ainda que vai reduzir gradualmente os montantes das compras de títulos de dívida. Em consequência, a duração do programa foi estendida de setembro até outubro deste ano, data em que a atuação da autoridade deve ser encerrada.

Ainda nos EUA, a agenda de indicadores revelou o déficit abaixo do esperado apresentado pela balança comercial, assim como o avanço acima do esperado da produção industrial em junho e a variação nula do CPI - índice que mede a evolução dos preços ao consumidor - em julho. Do lado negativo, o nível dos estoques no atacado, as vendas no varejo, os pedidos de auxílio-desemprego e a versão preliminar da confiança do consumidor decepcionaram as estimativas em suas respectivas medições.

Na Ásia, o destaque ficou com a manutenção do juro básico no Japão e na Coreia do Sul, enquanto na Europa, os investidores avaliaram a alta do desemprego no Reino Unido para o maior nível em 14 anos, a surpreendente queda da produção industrial da Zona do Euro na passagem de maio para junho, assim como o desempenho melhor que o esperado do PIB (Produto Interno Bruto) da região - queda de 0,1% - e o forte recuo de 10,9% da economia da Rússia no segundo trimestre.

Resultados de peso no Brasil

Por aqui, os indicadores inflacionários divulgados na semana - IPC-S, IPC-Fipe e IGP-M - revelaram trajetórias distintas dos preços em suas respectivas medições, enquanto o relatório Focus, do Banco Central, reduziu as estimativas para a inflação brasileira em 2009. Além disso, o mercado pôde avaliar o superávit da balança comercial na primeira semana de agosto e o crescimento do volume de vendas do comércio varejista em junho.

Na esfera corporativa, a temporada de resultados chegou ao fim com destaque para o lucro da Petrobras, que embora tenha recuado frente ao segundo trimestre de 2008, superou as projeções dos analistas. Além disso, AmBev, Banco do Brasil, BM&F Bovespa, Braskem, Klabin, Cesp, GOL, JBS-Friboi, entre outras, mostraram avanço nos respectivos lucros acumulados no segundo trimestre. Do lado negativo, destaque para a queda nos resultados apresentados por Itaú Unibanco, Nossa Caixa, ALL, CPFL Energia, dentre outras.

As variações de Ibovespa, câmbio e renda fixa

Com três altas em cinco pregões, o Ibovespa deu sequência à recuperação verificada ao longo do ano e com tímida alta de 0,55%, encerrando a quinta semana seguida de ganhos aos 56.638 pontos. Com este desempenho, a valorização acumulada pelo índice desde o início de 2009 subiu para 50,83%.

Em linha com as novas intervenções do Banco Central, o dólar comercial também refletiu o clima de incertezas nos mercados e interrompeu o movimento de baixa predominante ao longo do ano com forte alta de 1,98% na semana, sendo cotado a R$ 1,8560 na venda.

No mercado de renda fixa, os juros futuros apresentaram rendimento descendente. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, entre os líderes em liquidez no período, apontou taxa de 9,62%, com queda de 0,25 ponto percentual em relação à semana anterior.

Destaques da agenda na terceira semana de agosto

Dentro da agenda para a terceira semana de agosto, os investidores estarão atentos, sobretudo, à situação do mercado imobiliário norte-americano e aos indicadores de inflação.

No cenário nacional, destaque também para os índices de preços a serem publicados, com ênfase no IGP-10 referente ao mês de agosto.

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