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17/08/2009 - 17h22

De olho nos lucros e nos investimentos, banco prevê recuperação sustentável

SÃO PAULO - É de maneira otimista que a equipe de análise do JPMorgan trata as perspectivas futuras para a economia global. Enquanto muitos investidores - e analistas - se mostram céticos em relação a uma recuperação sustentável dos mercados desenvolvidos, o banco prevê uma retomada acima da média.

Dentro dessa expectativa, os analistas do JPMorgan ressaltam quatro drivers de crescimento: o estímulo monetário atrasado; a redução do ritmo de desaceleração dos investimentos corporativos, enquanto os lucros se recuperam; a inversão no ciclo de estoques; e a sincronia global que deve maximizar a recuperação das exportações.

Para aproveitar-se da recuperação esperada, o JPMorgan avalia cinco indicadores específicos. Os dois primeiros são a demanda final, através do varejo e das vendas de automóveis, e a produção industrial em relação à demanda final, de forma a avaliar o ciclo dos estoques. Os demais indicadores são os lucros corporativos, que necessariamente devem superar as projeções, a inflação nas economias emergentes e a inflação nos Estados Unidos.

Ações e commodities

Se a recuperação for sustentável conforme a previsão, o banco acredita que o mercado acionário continuará subindo, embora os valuations atualmente não demonstrem upsides significativos. "Felizmente há um ceticismo saudável em relação a preços-alvo e valuations de fluxo de caixa descontado", afirma, acrescentando que "para que os mercados continuem a subir, as revisões econômicas e de lucro apenas devem ser positivas".

Por outro lado, mesmo com a expectativa de retomada do crescimento mundial, os analistas do banco permanecem neutros em relação ao mercado de commodities. "Nós ressaltamos os fluxos cumulativos recordes para os fundos de commodities neste ano e os estoques especulativos chineses como bandeiras vermelhas", explica o JPMorgan.

Mercados Emergentes: encerrar posições

Enquanto muitos continuam significativamente overweight nos mercados emergentes, em especial em relação à China, os analistas do banco recomendam reduzir as posições. "Os temores de um aperto na política monetária chinesa e a projeção do JPMorgan de retomada na produção industrial do mundo desenvolvido" devem resultar em fluxos conflitantes para os ativos de mercados emergentes.

Sobre os emergentes, o banco também levanta a possibilidade de novas reduções nos juros básicos. "As taxas básicas de juros dos mercados emergentes estão em mínimas recordes. Todos os grandes emergentes têm políticas de juro de um único dígito. Ainda assim, o câmbio oferece carry positivo. O real brasileiro tem valorização de 25% no acumulado do ano e tem um carry de 8%. O momentum, somado ao carry, pode forçar os mercados emergentes a reduzir ainda mais o juro", argumentam os analistas.

Câmbio

Em seu relatório, o JPMorgan também discute as estimativas sobre o câmbio. De acordo com a instituição, "o crescimento melhor deve aumentar o apetite por risco, o que é ruim para o dólar; mas crescimento melhor deve aumentar a demanda pelos ativos norte-americanos, o que é bom para o dólar".

Em meio às dúvidas em relação ao movimento da moeda norte-americana, o JPMorgan acredita que haverá apreciação entre as divisas de países emergentes, preferindo os investimentos em moedas latino-americanas.

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