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21/08/2009 - 18h02

Pimco vê oportunidade para emergentes no novo normal, com destaque para BRIC

SÃO PAULO - Se o pós-crise representa um cenário de menor potencial de crescimento para as economias mais alavancadas, ele traz dificuldades relevantes também aos mercados emergentes, principalmente se consideradas a menor demanda por exportação e a reversão dos fluxos de capital induzidos pela alavancagem.

Entretanto, esse cenário, chamado "novo normal" pela Pimco, também apresenta uma série de oportunidades aos emergentes, como a possibilidade de mudança de foco do crescimento, das exportações para a demanda doméstica, e principalmente o possível fortalecimento de suas posições na nova ordem econômica.

"Nós acreditamos que diversas economias emergentes estão avançadas no processo de fazer essa transição", afirma o diretor da Pimco, Curtis Mewbourne. "Para que os países se tornem e permaneçam dominantes na economia global eles precisam reduzir suas dependências em outros (demanda por exportações) e desenvolver suas próprias fontes de demanda sustentável (particularmente de consumo doméstico)".

Vantagem dos Brics

De acordo com análise de Mewbourne, a China é o expoente dessas alterações, tendo uma capitalização de mercado maior do que a da segunda maior economia do mundo. "Não é surpreendente que a capitalização de mercado da China seja maior do que a do Japão, dado que a economia chinesa provavelmente irá ultrapassar o Japão e se tornar a segunda maior do mundo no próximo ano", argumenta.

Embora seja a maior economia emergente, a China não é a única representante desse fenômeno. O diretor da Pimco explica que em termos de PIB (Produto Interno Bruto), os emergentes contam por sete das 20 maiores economias do mundo, representando também o lado que cresce mais rápido.

"O resto dos Brics - Brasil, Rússia e Índia - tem algumas das mesmas características que são vantagens comparativas significativas no 'novo normal', por exemplo, baixos custos de trabalho e níveis de dívida do consumidor extremamente baixos. Eles também têm grandes populações, então a demanda doméstica pode realmente fazer diferença em escala global", comenta Mewbourne.

Aliás, a demanda doméstica é uma vantagem relevante no cenário pós-crise. Países como China e Índia, que possuem 30% da população mundial, saem na frente em termos de substituição da demanda externa pelo mercado interno.

Resultados de uma nova ordem

Caso as economias emergentes se firmem no topo da nova ordem econômica junto com os países desenvolvidos, uma das implicações mais poderosas e potencialmente lucrativas é o futuro valor do dólar, que tem sido a moeda de reserva global desde o final da Segunda Guerra Mundial.

"É verdade que nenhuma moeda emergente atingiu a massa crítica como uma substituta viável ao dólar, mas há muitas razões para esperar um declínio secular no valor da divida norte-americana", prevê o diretor da Pimco, citando as preocupações dos emergentes, especialmente da China, em relação à crescente dívida dos Estados Unidos e o enfraquecimento da economia norte-americana.

Algumas ações no sentido de diminuir a exposição ao dólar já têm sido tomadas, como a assinatura pela China de diversos acordos de swap cambial em que o financiamento das negociações pode ser feito em yuan. Além disso, diversos países se alistaram para substituir parte de suas reservas internacionais por novos títulos emitidos pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

"Enquanto nós ainda não atingimos o ponto em que uma nova moeda de reserva global irá aparecer, nós estamos vendo claramente a perda do status do dólar como reserve de valor mesmo na falta de uma alternativa viável. Em combinação com outros fatores, isso provavelmente significa a continuidade da desvalorização da moeda norte-americana frente a outras divisas, especialmente dos mercados emergentes", conclui Curtis Mewbourne.

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