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31/08/2009 - 15h00

Atentos à China, analistas apontam tensões para a bolsa doméstica na semana

SÃO PAULO - Após permanecer estagnado por mais uma semana, o Ibovespa vê os temores de uma realização importante crescerem à sua volta. Traçando as perspectivas para a bolsa na semana que se inicia, os analistas ainda não são unânimes em bater o martelo do bear market.

Não há como esconder, todavia, que o receio toma conta dos investidores em escala global. Prova disso foi a forte queda (-6,7%) do Shangai Composite, índice de referência da bolsa de Xangai, nesta segunda-feira (31), levando a uma nova onda de mau humor nos mercados globais.

Para os analistas, a situação do crédito na China continuará a merecer monitoramento, assim como os preços de commodities, em busca de indícios de uma realização mais forte. Há quem veja uma barreira para os ganhos, mas há também os que enxerguem oportunidades.

Ceticismo

Parece difícil convencer o analista Maurício Molan, do Santander, de que há espaços para um novo rali. "Vai se consolidando uma percepção de que melhoras marginais da perspectiva econômica são insuficientes para valorizar os ativos que já podem ser considerados caros".

Sem futurologia, a análise busca ater-se à comparação com o momento anterior à crise. Com os múltiplos preço/lucro beirando os níveis máximos anteriormente atingidos, mesmo em um ambiente muito mais receoso do risco, parecem suficientes para demover ideias otimistas.

A comparação "proporciona razoável indicação de quanto pode ser arriscado apostar em ganhos adicionais em uma perspectiva de curto prazo".

Um pouco mais extremo em sua análise é George Sanders, da Infinity Asset Management. "Acho que a bolsa merece uma realizada boa, mas ela não vem", afirma, quase decepcionado. Todavia, a dica é monitorar os mercados monetários e as commodities, para antecipar um movimento mais forte de realização.

Não sai do lugar

Se as ações não estão mais baratas, alguns indicadores econômicos mantêm vivas esperanças de uma retomada do crescimento. Nesse cenário, a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares, vê um impasse em seu comentário semanal.

"A despeito da volatilidade em reação aos números de cada dia, e da cautela na maior parte do tempo, os preços dos ativos financeiros globais devem se sustentar perto dos atuais patamares", afirmou.

Os próximos dias, contudo, prometem grandes emoções nos mercados acionários, uma vez que a agenda nos EUA contará com o relatório de emprego e a revelação da minuta do último encontro do Federal Reserve.

Embora também tenham um panorama de dificuldades traçado, os analistas da Bradesco Corretora veem a forte entrada de recursos externos como um indício de oportunidades para ganhos na renda variável.

Levando em consideração que os problemas da dívida dos EUA e do crédito na China não são fundamentais, assim como a busca de novos players por ativos brasileiros, o time da corretora vê "uma janela de oportunidade no mercado de capitais, propiciada pelo impulso fiscal e reforçada pelo fato de a recuperação no mercado de crédito ser orientada para a atividade doméstica".

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