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31/08/2009 - 18h42

Bolsa aparece como melhor investimento pelo segundo mês consecutivo

SÃO PAULO - O saldo positivo em 3,15% do Ibovespa foi suficiente para garantir à bolsa o posto de melhor investimento de agosto, pelo segundo mês consecutivo. Ainda que sobrem dúvidas quanto aos fundamentos que levaram a mais um mês de alta das ações e também quanto à continuação deste movimento, um mix de referências econômicas e corporativas - com grande peso à temporada de resultados e ao noticiário envolvendo fusões, aquisições e parcerias - deu fôlego à renda variável em agosto.

Logo atrás aparece o dólar, aqui acompanhado pela variação da Ptax, que acumulou retorno de 0,74%. Dentre as opções de renda fixa, a aplicação em CDBs pré-fixados de 30 dias garantiu retorno nominal médio de 0,69% em agosto, ou de 1,05% quando considerada a variação negativa de 0,36% do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) no período. O CDI acumulou variação de 0,66% no oitavo mês do ano, enquanto a tradicional caderneta de poupança, que pode ter seus rendimentos tributados em determinadas carteiras superiores a R$ 50 mil a partir do próximo ano, apresentou retorno de 0,52% em termos nominais.

Ainda dentre as alternativas dentro do mercado de capitais, o ouro - cuja aplicação é pouco difundida no Brasil, porém costuma ganhar espaço em tempos de maior interesse por preservação de capital - trouxe ao investidor variação nominal nula em agosto.

O que mexeu com os mercados em agosto

Não se pode negar que alguns indicadores-chave - como o Employment Report de julho e os PIB (Produto Interno Bruto) referentes ao segundo trimestre de grandes economias como EUA, Alemanha e França - apresentaram melhora; o que se pode contestar é se a precificação destes ativos está correta ou não. Também não se pode negar que determinados setores e empresas caminham para fora da crise; a contraposição pode vir da origem e da sustentabilidade das melhoras vistas.

A valorização mais modesta da bolsa em relação a meses passados - março (+7,18%), abril (+15,55%), maio (+12,49%) e julho (+6,41%) - reflete, assim, as dúvidas não somente quanto aos fundamentos que garantiram mais este mês de ganho às ações, mas também a perpetuidade deste movimento.

A começar pelos fundamentos. Indicadores econômicos trouxeram referências díspares, mas prevaleceu o otimismo com aqueles que superaram as projeções, seja porque as bases comparativas vinham de mínimas, seja porque as expectativas também estão reduzidas, ou mesmo porque a recuperação efetivamente teve início. No lado corporativo, resultados acima do esperado também não escaparam de contestações: dentre as críticas, uma das principais é que os lucros obtidos têm como base cortes de custo, cujo impacto é limitado.

Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional), declarou fim à recessão. O Fed flertou com estratégias de saída aos maciços estímulos monetários e fiscais oferecidos. Aqui no Brasil, semana após semana o relatório Focus do Banco Central melhorava suas projeções para a economia do País em 2009 e 2010. Estes e outros eventos balizaram, neste mês de agosto, perspectivas cada vez mais alentadoras dos agentes.

Internamente ganharam maior repercussão as referências corporativas. Além dos números apresentados dentro da temporada de resultados do segundo trimestre, contamos com o novo marco regulatório do pré-sal, associação de operações de Porto Seguro e Itaú Unibanco, intenção da Braskem em adquirir a Quattor, conversas de parceria entre BM&F Bovespa e Nasdaq, entre outras. Mas não se pode deixar de lado a expectativa pela chegada do terceiro grau de investimento ao Brasil, desta vez pela Moody´s. Mantega disse que a nota deve vir em setembro. O porta-voz oficial, analista da própria agência de classificação de risco, foi menos esclarecedor do que o palpite do Ministro da Fazenda, mas não afastou a possibilidade de a nota chegar em breve.

GOL e Redecard nas pontas do Ibovespa

Além da influência das estimativas para sua principal concorrente - a VisaNet (VNET3), haja vista que diversas instituições deram início de cobertura a estas ações -, as dúvidas quanto aos impactos que a prometida regulação no setor de cartões trarão a estas empresas pressionaram as ações da Redecard (RDCD3), que, com queda de 7,03% em agosto, tiveram o pior desempenho dentre as ações que compõem a carteira teórica do Ibovespa. Rumores de que bancos públicos teriam bandeira própria em seus cartões também penalizaram as ações.

No extremo oposto aparece a GOL (GOLL4). Com valorização de 26,37%, sua ação tomou o destaque positivo do benchmark em agosto. A despeito da impressão negativa trazida pelo pedido de oferta de ações no Brasil e nos EUA, os resultados do segundo trimestre agradaram e garantiram boas perspectivas à companhia aérea.

Confira as variações de agosto

Investimento Agosto Real* Julho Real**
Ibovespa +3,15% +3,52% +6,41% +6,87%
CDI*** +0,66% +1,02% +0,75% +1,19%
CDB **** +0,69% +1,05% +0,75% +1,19%
Poupança +0,52% +0,88% +0,61% +1,04%
Ouro 0% +0,36% -2,39% -1,97%
Dólar Ptax +0,74% +1,10% -3,61% -3,19%
IGP-M -0,36% -0,43%
* Deduzida a variação do IGP-M que ficou em -0,36% em agosto de 2009 ** Deduzida a variação do IGP-M que ficou em -0,43% em julho de 2009 *** Taxa Efetiva Andima **** Taxa pré 30 dias

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