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09/09/2009 - 13h02

Há 20 meses, preços de alimentos sobem acima da inflação, aponta Dieese

SÃO PAULO - Há 20 meses que o aumento registrado nos preços de alimentos tem sido maior que a inflação geral, segundo indicou o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), ao divulgar o ICV (Índice do Custo de Vida), nesta quarta-feira (9).

A taxa do grupo Alimentação acumula no período alta de 11,7%, contra 8,8% no geral. A alimentação fora do domicílio foi o subgrupo que mais subiu. Os produtos in natura e semielaborados (9,3%) e a indústria alimentícia (10,9%) também apresentaram variações significativas.

Acumulado do ano e crise

No acumulado do ano, a taxa de Alimentação está em 1,62%. Segundo o Dieese, apesar de ser muito menor que a apresentada em igual período do ano passado (9,02%), não é suficiente para compensar a extraordinária alta praticada em 2008.

A desaceleração no aumento dos preços neste ano pode ser explicada pela crise econômica, que reduziu significativamente os preços de diversos produtos agrícolas. Porém, analisando os produtos separadamente, é possível notar comportamentos distintos.

As carnes bovinas e suínas, por exemplo, registraram taxas crescentes entre maio e dezembro de 2008, passando a apresentar declínio até março, quando seus preços ficaram estáveis. No período, a variação acumulada para a carne bovina é de 15,33% e para a suína é de 10,40%.

Já o frango registrou quedas acentuadas nos primeiros cinco meses de 2008, passando a subir fortemente nos meses seguintes, até outubro, quando passou a apresentar oscilações, até agosto último. A taxa acumulada desse produto é de 15,57%.

Os óleos, que são derivados da soja e do milho, apresentaram variações de acordo com os preços das commodities, ou seja, subiram fortemente até junho do ano passado (29%), para cair com a crise econômica, acumulando no período deflação de 4,54%.

Já o arroz, por atender basicamente ao mercado interno, não sofreu grandes altas no início de 2008, mas, com o aumento do preço internacional do produto, suas taxas mensais começaram a subir, a partir de maio do ano passado. No final do mesmo ano, seus valores começaram a cair. Ainda assim, a taxa acumulada deste produto é de 21,5%, acima da apurada para alimentação (11,7%).

Açúcar mais caro

Já os preços do açúcar, que não apresentavam grandes alterações até o início deste ano, também foram influenciados pelo mercado externo, a partir de janeiro último. Isso porque a quebra da safra do açúcar da Índia, grande exportadora do produto, resultou no aumento das exportações brasileiras e, consequentemente, na alta dos preços internos. A taxa deste produto atingiu 43,2% em agosto deste ano.

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