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15/09/2009 - 09h49

Após um ano, crédito já voltou normal, mas ainda está sob efeito de "remédios"

SÃO PAULO - Há exatamente um ano, no dia 15 de setembro de 2008, a economia mundial sentiu o impacto da falência do Lehman Brothers e, a partir de então, diversos acontecimentos prejudicaram o emprego, o consumo, as empresas e o crédito.

Os efeitos, no Brasil, ainda persistem, embora em menor escala. Para o vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel de Oliveira, a crise foi extremamente forte, mas não durou tanto quanto se esperava, já que melhoras já puderam ser constatadas neste segundo semestre.

Trajetória do crédito

Oliveira também lembra que os consumidores brasileiros, assim como em outros países, foram afetados em três formas. A primeira delas pelo fato de que os bancos passaram a ser mais seletivos na hora de fornecer crédito. A segunda forma foi na redução dos prazos para o financiamento. "Quanto mais longo o prazo, menores são as prestações, e com o prazo menor, o consumidor tem dificuldade em obter o crédito", diz.

Já a terceira maneira refere-se ao aumento dos juros. Tudo isso, de acordo com o vice-presidente da associação, afetou o crédito e, consequentemente, o consumo no país. "Mas isso durou no período entre setembro e maio. Após isso, nós vimos as taxas voltarem a patamares registrados antes da crise. Os prazos voltaram a crescer e os bancos voltaram a emprestar. As condições de crédito voltaram ao normal", explica.

Ele lembra que em agosto a taxa média de juros cobrada nos financiamentos à pessoa física caiu para 7,08%, sendo este o menor nível já registrado na série histórica da Anefac, que teve início em 1995.

Porém, Oliveira também ressalta que ainda não se pode dizer que saímos totalmente da crise. "A economia é como um paciente que recebeu remédios fortíssimos. Governos de diversos países adotaram medidas como a redução de impostos, que ainda vigoram, porque se entende que ainda há alguns riscos", explica.

Segundo ele, ainda estamos sob efeito de anestesia, e só será possível dizer que a economia está completamente recuperada quando esses "remédios forem tirados e o paciente continuar sobrevivendo".

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