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15/09/2009 - 10h36

Inadimplência não dispara e arrecadação de tributos sobe em um ano de crise

SÃO PAULO - A crise completa um ano nesta terça-feira (15), data que marca a quebra do banco Lehman Brothers. No Brasil, ela provocou queda na atividade econômica e a reação do governo com desonerações tributárias, mas, mesmo assim, a arrecadação de tributos apresentou alta no período, o que mostra a "pujança" da economia nacional, de acordo com o presidente do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), Gilberto Luiz do Amaral.

De acordo com ele, no âmbito tributário, o governo federal agiu bem durante a crise, promovendo a diminuição de tributos como o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e a Cide Combustíveis, o que alavancou as vendas de produtos como automóveis e linha branca.

"O resultado [das desonerações] é positivo em qualquer análise que se faça: não causou grande perda na arrecadação, impulsionou ou manteve o nível de vendas de vários produtos e psicologicamente foi muito importante para a economia", afirmou Amaral, que completou dizendo que as desonerações provocaram perdas de apenas R$ 7,09 bilhões para a União no primeiro semestre.

Brasileiro ajudou

De acordo com ele, o resultado positivo da arrecadação tributária nominal (que passou de R$ 516,13 bilhões no primeiro semestre do ano passado para R$ 519,24 bilhões no mesmo período deste ano) foi impulsionado pelo comportamento do brasileiro em meio à crise, que não deixou de arcar com seus compromissos tributários.

"A inadimplência é um componente que influenciou a arrecadação, mas de forma tímida. Nós tínhamos a expectativa de que essa inadimplência aumentasse muito mais, e ela não aumentou, tal qual também a inadimplência no comércio não foi tão forte. Porque o nível de emprego caiu, mas caiu pouco", explicou Amaral.

Perspectivas

Amaral afirmou que a crise foi menor do que todo mundo imaginava, mas que ainda não acabou e que é preciso ficar de olho em dados internacionais e nacionais, como a inadimplência no comércio.

"A crise foi menor no mercado interno. Ela não afetou muito os negócios. No emprego, a queda no nível foi muito pequena, diante daquilo que se pensava. Os investimentos do final do ano passado e começo deste ano, agora, já estão voltando. Então, mostrou por exemplo uma pujança do sistema financeiro nacional. A superação da crise é quase que um fato".

Sobre a arrecadação tributária, ele afirmou que deve ser melhor no segundo semestre deste ano, já que existem planos de anistia, tanto da União quanto de estados e municípios, que podem alavancar a arrecadação de forma importante.

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