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15/09/2009 - 15h31

Na bolsa: em um ano de crise, o que o investidor fez e o que deveria ter feito

SÃO PAULO - Há exatamente um ano, o banco Lehman Brothers decretou falência, após 150 anos de atuação no mercado norte-americano. O fato marcou o início da crise econômica, que mudou o comportamento de investidores ao redor do mundo. Diante deste cenário, o Brasil se destacou, para a sorte de quem aplica na bolsa do País.

Um estudo conduzido pelo professor do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil, Mauro Calil, desde o pior momento da crise (datado no dia 27 de outubro) até esta quinta-feira (15), a valorização do Ibovespa foi de 98,2%. Nos Estados Unidos, a valorização no período foi de 22,9%, enquanto no Japão foi de 25,1%.

"O Brasil foi um dos melhores mercados, mostrou bastante solidez. Com exceção da exportação, principalmente para a Europa, o restante dos mercados passou pela crise quase sem nenhum trauma", disse Calil. "Sorte dos investidores que colocaram seus recursos na bolsa brasileira", destacou.

Mais sorte ainda...

Mas a sorte foi maior para quem soube se comportar em meio à crise. De acordo com Calil, novos investidores da bolsa que se depararam com a crise ficaram desesperados - principalmente entre setembro e outubro do ano passado, quando não se sabia o tamanho da turbulência - e venderam seus papéis, realizando perdas. Já os mais experientes ficaram e ganharam.

"Entre os novos investidores, muitos acabaram tendo a impressão errada, de que ´isso não é para mim` ou ´tem carta marcada neste mercado`. Dentro deste grupo, tem o que abandonou a bolsa e dificilmente voltará e os que ficaram e viram que ela não é tão ruim assim. Este último veio para ficar e vai aumentar pouco a pouco o investimento. Ele está ganhando em dividendo e vendo que a Selic a 8,75% ao ano não vai remunerar tão bem".

Os mais experientes, que possuem dois ou três anos de mercado, "deitaram e rolaram" e aproveitaram a crise para comprar papel novo ou derivativo. Afinal, conforme disse Calil, o mercado estava uma "pechincha" em dezembro do ano passado.

"No dia 27 de outubro, o investidor comprava uma empresa - que eu não vou dizer o nome - pelo dinheiro em caixa dela. E é uma empresa tradicional. Hoje, não estamos nesta maravilha", afirmou Calil, para quem o investidor paciente, com o prazo a seu favor, de cinco anos ou mais, deve entrar na bolsa.

O grande temor

Apesar de tudo indicar que esse é um bom momento para investir em bolsa e que a economia está se recuperando, principalmente no Brasil, o professor deixou claro que "sim, pode acontecer de novo!". Porém, as chances de uma nova crise surgir são cada vez menores.

Antes da crise, diante de muita liquidez, os conselhos das empresas estavam mais suscetíveis ao risco. "A regulamentação [do mercado financeiro global] ainda não chegou, mas os conselhos estão mais atentos, porque ele é indicado pelos acionistas majoritários, que têm interesse na perpetuidade do negócio. Pode acontecer de novo, porque os cuidados tendem a relaxar, mas as chances estão cada vez menores".

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