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18/09/2009 - 18h08

Momento de investir na Bolsa: montar uma carteira ou escolher um fundo?

SÃO PAULO - A bolsa brasileira registrou alta de quase 100% desde o pior momento da crise, em 27 de outubro do ano passado, ultrapassando na quarta-feira (16) os 60 mil pontos. Dados como estes são convidativos a quem pretende investir em ações. Mas qual o melhor caminho para isso: montar uma carteira ou aplicar em um fundo de ações?

A escolha depende do perfil do investidor. De acordo com o estrategista de Investimentos Pessoais e superintendente de Vendas da Asset Management do Banco Real, Aquiles Mosca, quem quer estar envolvido com a compra e a venda das ações, escolher os papéis e dizer qual o timing das operações deve operar diretamente no mercado acionário, por meio do home broker, por exemplo.

A mesma percepção é dividida pelo professor e educador financeiro do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil, Mauro Calil, que disse acreditar que a diferença para investir direto em ações e em um fundo está no perfil do aplicador, e não na rentabilidade que se alcança.

Escolha dos fundos

No caso dos fundos de ações, o que acontece é que o investidor passa a responsabilidade pela aplicação para um profissional, o que não significa rentabilidade garantida, já que o desempenho das ações não depende do gestor, mas de uma realidade de mercado. Resumindo, o fundo então é indicado para quem: não tem tempo para administrar uma carteira independente, não entende nada do mercado de ações e não tem tempo - ou simplesmente não quer - fazer uma análise detalhada para as escolhas das empresas, o que é fator fundamental para o sucesso na modalidade de investimento.

De acordo com Mosca, quando escolher o fundo, o importante é definir se você irá acompanhar o Ibovespa ou se quer algo além disso. Alguns fundos garantem a performance do indicador, enquanto outros vão além e conseguem rentabilidades maiores, o que significa correr mais riscos. Neste último caso, sempre considere o histórico das diversas opções oferecidas pelo mercado, segundo orientou o estrategista.

Carteira independente

A carteira própria exige um nível de conhecimento maior por parte do investidor. Calil, por exemplo, considera um aplicador mais experiente aquele que possui de dois a três anos de mercado. Mas, para ter sucesso na aplicação direta na bolsa de valores, é importante atentar a alguns pontos, de acordo com o professor:


  • Não ter a expectativa de mexer todo dia na carteira: "Um profissional via de regra não faz isso. Um fundo de investimentos tem regras a obedecer e uma delas é deixar dois terços do capital em ações. Mas não há necessidade de mexer para ter a sensação de que está ganhando dinheiro".

  • Não ter a expectativa de ter ganhos todos os dias: "Quando um gestor de fundo o monta, ele quer que se perpetue e tem uma visão de longo prazo. Quem tem carteira própria tem dificuldade de olhar desta forma".


Custos

Dependendo da escolha feita, o investidor terá seus benefícios...Mas também seus custos. No caso do fundo de investimento, "você remunera o gestor para tomar as decisões", conforme explicou Mosca. Para isso, é cobrada uma taxa de administração, que varia por instituição financeira, montante aplicado etc.

De acordo com Calil, ainda existe a cobrança, no fundo de ações, de uma taxa de performance. "Existe um parâmetro de ganho e quando o gestor supera, os ganhos são divididos com o investidor. Isso não são todos os fundos que têm", explicou ele, que completou dizendo que é preciso atentar a tudo isso antes de ingressar no fundo.

Além disso, via de regra, nem todos os dividendos são integralmente revertidos em benefício do cotista do fundo, já que pode ser que ele faça parte da remuneração do gestor.

Tributos

Em relação aos tributos, quem tem carteira própria também tem o trabalho de ficar atento se o recolhimento está sendo feito de forma correta.

"Todo o mês tem de apurar lucro e recolher o tributo na DARF [Documento de Arrecadação de Receitas Federais], até o último dia útil do mês subsequente", explicou Calil. A alíquota de tributação é de 15%, com exceção das operações de day trade, nas quais a alíquota é de 20%.

Já no caso do fundo de ações, eles serão tributados da mesma forma que os investimentos diretos em ações, ou seja, estarão sujeitos a uma alíquota única de 15%, incidente sobre a diferença positiva entre o valor de resgate e o valor de aquisição das cotas. O valor é retido na fonte no momento de resgate das quotas, sendo que o recolhimento do tributo é de responsabilidade do administrador do fundo.

Resultados

Por fim, de acordo com Calil, em uma carteira própria, o investidor tem mais dinâmica e flexibilidade para mexer na composição. Se ele for mais experiente, então tem mais chances de ganhos. No caso do fundo de investimento, às vezes ele está atrelado a regras e não pode fazer algumas operações que gerariam mais ganhos.

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