UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

28/09/2009 - 20h02

Global Finance Magazine: bancos centrais devem se atentar para novas crises

SÃO PAULO - Pouco mais de um ano atrás o mundo assistia ao episódio que marcou o início de uma deterioração econômica global. Com a quebra do quarto maior banco norte-americano, o Lehman Brothers, a crise financeira se agravou e fez com que as economias tivessem que lidar, por exemplo, com maior desemprego, falta de crédito, inflação, queda na produção e nos investimentos.

Diante desse cenário, os bancos centrais e os governos se viram obrigados a intervir nas economias mais ativamente - ou seja, adotar postura mais intervencionista - e a adotarem medidas que pudessem conter os impactos negativos do período de instabilidade econômica. Flexibilização monetária, injeções de dinheiro e incentivos fiscais foram as estratégias utilizadas por eles, que deram, de maneira geral, resultados positivos.

Com o arrefecimento da crise, os mercados globais respiram mais aliviados enquanto observam a melhora dos indicadores econômicos. Contudo, segundo a publicação Global Finance Magazine, o "enorme custo" das medidas tomadas pelas autoridades monetárias ainda deve ser pago, assim como é hora de pensar nas consequências delas.

"Algum momento será necessário parar de emitir mais dinheiro antes que uma nova bolha se forme. O Banco de Israel, em agosto, foi o primeiro banco central a elevar as taxas de juros desde que a crise econômica se intensificou. (...) Pondo de lado esta perigosa transição, os bancos centrais devem estar ativamente envolvidos no debate sobre como evitar crises futuras que envolvem risco sistêmico", destacou a publicação.

Brasil e EUA

Em tentativa de estimular a economia, o Banco Central do Brasil efetuou uma série de cortes na taxa básica de juros do País, levando a Selic ao patamar de 8,75% ao ano - menor nível desde sua criação. Somado a isso, medidas como a redução do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) ajudaram a economia brasileira a enfrentar o pior da crise.

"Atualmente, o Brasil espera por um crescimento de cerca de 8% no segundo semestre de 2009 na comparação com o mesmo período de 2008, embora as projeções dos analistas sejam de retração de 0,3% no acumulado de 2009. Indicadores mostram que a confiança do consumidor está subindo, então, a demanda doméstica deve estimular um crescimento mais robusto no próximo ano".

Para os Estados Unidos, a publicação acredita em um cenário diferente. Devido ao elevado nível de seus débitos, o país está mais à mercê de bancos centrais estrangeiros do que nunca. Em sua análise, os investidores internacionais precisam ser estimulados a continuar comprando Treasuries para evitar que os juros de longo prazo continuem subindo e empurrem a economia de volta ao fundo do poço.





"Ben Bernanke está levando o crédito de estar salvando o mundo de um desastre econômico que ele mesmo ajudou a criar e falhou ao não prevê-lo. (...) É verdade que o Fed respondeu rápido e agressivamente à pior crise em gerações. Entretanto, ainda é preciso ver se ele fez a coisa certa. O presidente dos EUA, Barack Obama, parece acreditar nisso. Ele apontou Bernanke, um Republicano, ao segundo mandato", afirmou a revista.

China e Japão

Apontada como o último país a sentir os efeitos da crise e como o primeiro a sair dela, a China viu em agosto números que preocuparam os mercados. No período, a gigante asiática observou o índice acionário Shanghai Composite fechar o mês com queda de 22% e dar início a um bear market (mercado em tendência de baixa).

Somados às medidas do governo chinês, os novos empréstimos foram responsáveis por manter os gastos e a projeção de crescimento do PIB real do país para este ano e para 2010 em torno de 8%. No entanto, a publicação ressalta que "é questionável se o banco central chinês pode prevenir uma bolha de crédito ao passo que mantém sua política monetária relativamente afrouxada".

O Banco Central japonês, por sua vez, conseguiu evitar o agravamento da situação econômica do Japão, entre outras coisas, mantendo a taxa de juros perto de 0% ao ano. Apesar do otimismo apresentado pelo presidente da autoridade monetária japonesa, Masaaki Shirakawa, a Global Finance Magazine destaca que um dos principais problemas que o país tem pela frente é a prevenção de um possível "espiral deflacionário".

Índia e Rússia

O otimismo também ronda a economia indiana. O governo da Índia espera por um crescimento de 6,7% no PIB do país este ano. Contudo, o nível de inflação indiano se mantém na média dos 6%, enquanto crescem as preocupações quanto às medidas que o Banco Central da Índia pretende tomar para restabelecer a liquidez, o que pode elevar as pressões inflacionárias.

Na Rússia, as coisas são diferentes. Apontada como um dos países que mais sofreram com a crise, mostrou a maior contração do PIB de toda a série histórica - iniciada em 1995 - ao relatar retração de 10,9% no segundo trimestre. Como uma tentativa de estimular o crescimento e a recuperação econômica do país, o banco central injetou aproximadamente US$ 200 bilhões na economia russa, além de ter contado com a ajuda do preço do petróleo, que aliviou as pressões inflacionárias no país.

Notas

A Global Finance Magazine avaliou o atual cenário das principais economias globais e as medidas adotadas por cada Banco Central para estimular uma recuperação econômica. O Banco Central do Brasil, que tem como presidente Henrique Meirelles, ficou com a nota B+ pelo segundo ano consecutivo.



Região Presidente do BC Nota 2009 Nota 2008
Brasil Henrique Meirelles B+ B+
EUA Ben Bernanke C C-
União Europeia Jean Claude Trichet A C
Rússia Sergel Ignatiev C- D
Reino Unido Mervyn King B D
China Zhou Xiaochuan C B-
Índia Duvvuri Subbarao B -
Japão Masaaki Shirakawa B- -

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host