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29/09/2009 - 19h13

Bob Doll: com economia ainda frágil, nova queda nas bolsas não surpreenderia

SÃO PAULO - "Apesar da crise financeira já estar perto do fim, nós vemos um longo caminho pela frente até os problemas econômicos serem superados". A frase, de Bob Doll, dá corpo ao relatório semanal da BlackRock, que gerencia uma carteira de US$ 1,37 trilhão em ativos em todo o globo.

Nas palavras do chairman, o grupo de investimentos gostaria de ressaltar que após subir em 8 das 10 últimas semanas, a bolsa norte-americana ensaiou uma possível correção nos preços na semana passada, registrando queda nos seus principais índices de ações.

"Mas com uma economia ainda em crise como plano de fundo, não seria nenhuma surpresa para nós se as ações caíssem no curto prazo e a volatilidade voltasse a imperar nas bolsas de valores", revelou o líder da gestora de recursos.

Possível correção?

Os problemas enfrentados na economia dos países mais desenvolvidos trouxeram à tona as preocupações com o futuro da renda variável, materializados nos temores da chegada de uma nova onda de realização de lucros no mercado financeiro internacional. "Apesar de nós de fato acharmos que a recessão já passou, nós gostaríamos de lembrar que a recuperação apenas começou e que serão necessários alguns anos até que os Estados Unidos retornem os níveis de atividade econômica de antes da crise", escreveu Bob Doll, na última segunda-feira (28).

Em outras palavras, o gestor avaliou que, pelo menos por mais alguns meses, será possível enxergar a continuidade de elevadas taxas de desemprego e o predomínio de pressões deflacionárias nos EUA, mesmo com alguns indicadores sugerindo a melhora de algumas variáveis.

A economia mundial ainda enfrenta muitos desafios, e os Estados e as autoridades econômicas continuam preocupados em ter que elevar impostos e reduzir gastos para melhorar a situação das contas públicas. "Além disso, as políticas de comércio exterior continuam a nos preocupar, com o aumento dos rumores sobre a adoção de medidas protecionistas, que deverão adiar ainda mais a retomada do crescimento", avaliou o chairman da BlackRock.

Para o longo prazo, entretanto, a asset disse que mantém uma perspectiva positiva para as opções de maior risco, sendo esperada uma trajetória de aumento no preço das ações, acompanhada de uma combinação de políticas de suporte monetário, inflação reduzida e crescimento econômico. "Entretanto, se continuarmos notando fragilidades no mercado de crédito teremos que adotar uma perspectiva mais cautelosa".

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