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29/09/2009 - 15h17

Conheça o suitability, promessa de transparência na hora de investir

SÃO PAULO - Em junho do ano passado foi publicada no DOU (Diário Oficial da União) a Deliberação nº 7, que recomenda às entidades e órgãos que integram o Coremec (Comitê de Regulação e Fiscalização dos Mercados Financeiro, de Capitais, de Seguros, de Previdência e de Capitalização) que fiquem atentos à questão do suitability.

O conceito obriga as instituições que oferecem produtos financeiros a realizarem vendas de acordo com as necessidades, interesses e objetivos dos clientes ou participantes dos planos de benefícios. "O suitability é você fazer avaliação do investidor para ver o risco que ele pretende correr na hora de aplicar", disse o coordenador da Comissão de Distribuição de Produtos de Varejo da Anbid (Associação Nacional de Bancos de Investimento), Marcos Villanova.

O suitability passa a vigorar no Brasil a partir de janeiro de 2010, quando os bancos devem estar preparados para aplicar, sem custo nenhum ao investidor, um questionário com perguntas que permitem avaliar o perfil de risco. Ao aplicador será informado quanto ele está propenso a destinar de recursos para a renda variável.

Com a informação obtida, o investidor pode fazer o que quiser: ou aplicar seguindo o que lhe foi informado ou então ignorar os dados. Neste segundo caso, ele deve assinar um documento no banco que mostre que ele foi avisado sobre seu perfil de investimento, mas que não quis assumi-lo.

Rumo à renda variável

Nos Estados Unidos e na Europa, onde o conceito já é aplicado, uma média de 50% dos aplicadores estão em renda variável, sendo que no Brasil a média é de apenas 12%.

"Se é verdade - e é verdade - que estamos crescendo e a tendência é que o Brasil seja um País de primeiro mundo, significa que vamos para esses 50%. Com a taxa de juro baixa, o investidor vai querer mais do que renda fixa. Vamos ter um número grande de investidores escolhendo renda variável", disse Villanova.

Em um primeiro momento, o questionário será aplicado para investidores que procuram fundos de ações, multimercados ou com títulos privados de crédito. Mas o aplicador que quiser se submeter ao questionário poderá fazê-lo. Depois de um tempo de aplicação, quando fizer um novo aporte, o investidor responderá novamente o questionário.

De acordo com Villanova, isso deve acontecer porque a Anbid trabalha com a ideia de que o perfil do investidor muda de acordo com o tempo. "Nos Estados Unidos, o sistema é muito mais evoluído e tem banco que mostra no extrato mensal qual o enquadramento do investidor", exemplificou.

Evolução do suitability

No ano passado, a Anbid desenhou o modelo de suitability no Brasil e, agora, os bancos preparam seu sistema e os gestores para poderem oferecer isso ao cliente já em janeiro. As expectativas em relação à questão são muito positivas, de acordo com o coordenador da Anbid, uma vez que o suitability vai trazer mais transparência às aplicações: o foco será no investidor, e não mais no produto.

Nesse sentido, as regras funcionam em mais de uma dimensão: por um lado, permitem a proteção dos clientes contra produtos e serviços que não correspondem ao seu perfil e necessidades e, por outro, ajudam a proteger as instituições financeiras, ao permitir uma melhor administração dos riscos assumidos nessas operações.

"Esse processo não nasce e acaba no começo de janeiro. Ele vai amadurecendo. Isso é mais do que uma mudança no sistema, mas de comportamento. No início, se tiver fiscalização, é mais instrutiva que punitiva", disse Villanova.

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