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02/10/2009 - 20h17

Bolsa conta com uma injeção de fluxo para finalmente definir sua tendência

SÃO PAULO - "Faz duas semanas que a bolsa está num processo de acumulação. Desde o dia 17 de setembro, tem oscilado no suporte de 59.600 e na resistência de 62 mil pontos." Semelhanças com Wall Street à parte, Francisco Holanda Júnior, da PAX Corretora, vê o momento atual da bolsa como uma questão de fluxo.

Na balança, a entrada de capital estrangeiro segue firme. Mas o mercado volta àquele impasse, indeciso no meio do intervalo de 2 mil pontos. "Vejo ele [o Ibovespa] meio de lado. Tem o topo em 62 mil e a base em 60 mil pontos; então, para definir para que lado vai, primeiro tem que romper um destes dois pontos. Isto no curto prazo...", reforça Marlo Ignatowski, da Investor.

Outubro chegou em meio a esta indefinição, sem um ou outro evento que possam inspirar um rumo mais definido. "A próxima semana deve continuar com volatilidade, sem muita novidade e a gente deve acompanhar mais uma vez o fluxo estrangeiro, a entrada de dólares em bolsa".

De fato, os intradays tendem a seguir no ritmo da agenda de indicadores econômicos. Por outro lado, parece consenso que este fluxo pode fazer a diferença. Ignatowski não se arrisca a jogar as fichas em uma direção definida, mas vê maior probabilidade em ir para cima, exatamente por uma questão de fluxo.

A bola da vez

O mercado brasileiro aparece em evidência no restante do mundo. Pelo novo investment grade, pelos comentários de que a economia local liderará a recuperação da América Latina e mais recentemente pela promessa de investimentos que a Olimpíada traz.

Mas vai além. Não bastasse esse ritmo de entradas, o fluxo deve ser alimentado pelo retorno dos IPOs (Initial Public Offerings). A relativa estabilidade do mercado resgatou as estreias, que geram a expectativa de muito mais volume financeiro. Lembrando que as ações do Santander Brasil estreiam na próxima quarta-feira (7), numa oferta que, sozinha, deve movimentar algo em torno de R$ 15 bilhões.

É muito dinheiro

E quando se fala em fluxo, inevitavelmente se pensa no dólar. "Tudo isso acaba impactando no dólar, que deve sofrer um pouco. A curva de juros para o curto prazo deve ficar flat, mas a curva de juros no longo prazo deve inclinar positivamente. O dólar deve continuar o movimento de queda", aposta Holanda Júnior.

Ignatowski concorda. Ao lembrar das ofertas, resume que "é muito dinheiro entrando". Por esta expectativa em relação ao Brasil, não aparece nenhuma aposta de uma realização mais agressiva. Mas pelo que subiu até aqui, é consenso que a bolsa inevitavelmente deve conviver com um ajuste ou outro.

Aí é preciso diferenciar curto de longo prazo: "a gente está bem otimista para o longo prazo; para o curto prazo a gente está mais cauteloso", conclui o analista da PAX.

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