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02/10/2009 - 19h27

Comentário semanal: Ibovespa contraria tendência externa e avança na semana

SÃO PAULO - Mesmo alternando pregões de alta e baixa durante a semana, o Ibovespa encerrou o período em alta, contrariando a tendência dos principais mercados globais, que cederam a um movimento de realização de lucros. Tanto a agenda, que incluiu declarações do FMI, Federal Reserve e o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA, quanto o noticiário corporativo, repleto de fusões e aquisições, mexeram com as bolsas.

A semana marcou também o encerramento do terceiro trimestre nos mercados globais. O Ibovespa registrou avanço de 19,53% no período, enquanto o Dow Jones teve valorização de 15%.

À exceção do PIB norte-americano, que superou as expectativas, alguns dos principais indicadores da maior economia no mundo não trouxeram ânimo aos mercados. No noticiário corporativo, destaque para o anúncio da GE (General Electric) de que negocia uma parceria ou um IPO (oferta inicial de ações) para sua unidade NBC Universal, e a demissão do CEO do Bank of America Merrill Lynch, Kenneth Lewis.

No Brasil, um dos grandes destaques veio na última sessão da semana, com a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Além disso, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, finalmente confirmou sua filiação ao PMDB.

As variações do Ibovespa, câmbio e renda fixa

O Ibovespa teve uma semana de alta, com valorização de 1,35% no período, a 61.171 pontos. No ano, o Ibovespa acumula alta de 62,91%.

As ações da Vivo foram destaque de alta na semana, com avanço de 10,32%.

Por outro lado, a Rossi Residencial, que teve suas ações ordinárias precificadas durante a semana, viu seus ativos recuarem 10,21% no Ibovespa no período.

Já as duas ações mais líquidas do índice apresentaram valorização na semana. As ações da Petrobras tiveram avanço - de 0,67% nas ações ordinárias e 0,72% nas preferenciais - e os papéis da Vale subiram, respectivamente, 0,66% e 0,85%.

O dólar terminou a semana com queda de 1,44%, cotado a R$ 1,775 na venda. O Banco Central interveio nas negociações em todas as sessões.

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram a semana praticamente estáveis na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,24%, taxa idêntica à da semana anterior.

Quanto aos títulos da dívida externa brasileira, o Global 40 fechou cotado a 133,85% de seu valor de face, um recuo de 0,18% entre as semanas.

Já o risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, marcou 246 pontos-base, avanço de 8 pontos na mesma base de comparação.

Noticiário econômico O mercado focou sua atenção nas notícias sobre desempenho da economia norte-americana. O PIB do país veio acima das estimativas de analistas, registrando queda de 0,7% no segundo trimestre, contra retração de 1,2% esperada.

Ben Bernanke, atual chairman do Fed, reforçou a posição do Federal Reserve em relação à reforma regulatória atualmente em curso. O Federal Reserve propôs regras que põem fim à possibilidade de os bancos arbitrarem com o pagamento dos cartões de crédito. Bernanke também afirmou que o crescimento econômico dos EUA no próximo ano provavelmente não será suficiente para diminuir a taxa de desemprego de maneira sustentável, que pode continuar acima de 9% no final de 2010. Para o Fed, a economia norte-americana está no caminho da recuperação, mas ainda a passos lentos.

Repercutiram também as projeções mais otimistas do FMI (Fundo Monetário Internacional) para a economia global - crescimento de 3,1% em 2010. O FMI também tem expectativas de que o Brasil lidere a recuperação na América Latina.

A FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation) pediu que os devedores adiantem três anos de premiums, em um esforço para levantar US$ 45 bilhões para reabastecer as reservas esgotadas pelas falências do setor bancário nos EUA.

O setor bancário nacional também chamou a atenção após o Banco Central optar pela revisão das regras de regulamentação do compulsório sobre depósitos a prazo, além de uma alteração na regra para liquidação financeira das operações realizadas na BM&F Bovespa.

Na esfera corporativa, diversos movimentos de fusões e aquisições agitaram os mercados. Entre as companhias que anunciaram aquisições nesta semana, estão a Abbot, Johnson & Johnson, Xerox e Cisco Systems.

Por fim, a OGX, braço do petróleo do grupo EBX de Eike Batista, anunciou a descoberta de indícios de petróleo em poço na Bacia de Santos.

No cenário interno, a semana foi marcada também pelo início do período de reservas para as operações de Banco Santander e estreias das novas aços da Multiplan e da Tivit. Já CCR e Brookfield anunciaram os termos de suas ofertas. Por fim, as ações ordinárias da PDG Realty foram precificadas.

Entre as blue chips, a Petrobras deve emitir ações no mercado para levantar recursos e pagar a União pelo direito de exploração do equivalente a cinco bilhões de barris de petróleo na região do pré-sal, conforme afirmou o presidente da companhia, José Sergio Gabrielli. Já a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que o questionamento da quantidade de petróleo na região do pré-sal "não tem fundamento".

Além dos dados piores do que o esperado do mercado de trabalho norte-americano, os números referentes a confiança do consumidor e níveis de atividade industrial também decepcionaram, assim como as vendas de automóveis, com o fim do programa governamental "Cash for Clunkers".

Por outro lado, o núcleo do índice de preços PCE (Personal Consumption Expenditures) e o Personal Spending avançaram, assim como o Personal Income e o número de contratos de compra e venda de casas usadas nos EUA.

O Governo brasileiro apresentou um superávit primário de R$ 5,042 bilhões durante agosto. Já a balança comercial brasileira registrou saldo positivo de US$ 1,33 bilhão em setembro.

Já o indicador do nível de atividade da indústria paulista (INA) caiu 0,8% em agosto frente a julho, com ajuste sazonal. O ICI (Índice de Confiança da Indústria) da Fundação Getulio Vargas, registrou a sua nona alta consecutiva em setembro. O IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) apontou inflação de 0,42% em setembro, após registrar variação negativa de 0,36% no mês anterior.

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