UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

09/10/2009 - 15h54

Bolsas: economista avalia alta do S&P 500 e sugere indecisão com fundamentos

SÃO PAULO - Os ganhos de 60% acumulados nas bolsas dos EUA em 2009 abrem espaço para diversas discussões sobre o que virá pela frente no mercado financeiro. Enquanto alguns investidores apontam a chegada de uma acentuada correção de preços, outros enxergam na alta a totalidade da recuperação do pós-crise.

Longe do consenso, o mercado opera entre incertezas, tendo apenas a grandiosidade da disparada como fato concreto: segundo analistas, o atual patamar do S&P 500 é consistente com uma economia em plena expansão, no mínimo cinco anos depois que o processo de recuperação ter sido iniciado.

Comentando o fato, David Rosenberg, economista-chefe e estrategista da Gluskin Sheff, observou a trajetória em ascendente do índice de ações norte-americanas e sugeriu que a recuperação em "V", apontada por muitos, é sem precedentes na história.

"Você pode olhar para os percentuais de valorização ou para o preço atual das ações, mas a realidade é que nós nunca tivemos tamanha disparada na bolsa, em uma economia perdendo 3 milhões de empregos", lembrou o especialista. "Isso é um novo paradigma, um bull market com desemprego".

Novo paradigma Continuando o comentário, Rosenberg assinalou que deve ser verdade que cerca de 50% do faturamento das empresas norte-americanas está sendo derivado de unidades fora dos EUA, expostas a mercados em melhor situação do que a principal economia do mundo. "Mas ainda assim, os 50% que correspondem aos Estados Unidos estão sujeitos a problemas de crédito, salário e emprego. O que é normal é termos uma alta das ações com 2 milhões de empregos sendo gerados, e não o contrário".

O economista-chefe da Gluskin Sheff lembrou ainda que, como defendido por alguns especialistas, por trás da escalada nas bolsas deve estar os efeitos de uma "grandiosa parede de dinheiro", formada por recursos alocados em opções menos arriscadas durante a crise.

"Mas isso não passa de um palpite, nós não sabemos ao certo o que está impulsionando o preço das ações", concluiu o especialista. "Quando nós não temos uma boa explicação para o fenômeno, a nossa estratégia é observar o andamento da bolsa e expressar nossa visão de acordo com a presença de sinais de melhora na economia".

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host