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14/10/2009 - 21h19

Estudo mostra melhora na transparência e governança dos fundos soberanos

SÃO PAULO - Um estudo divulgado esta semana pelo instituto IRRC (Investor Responsibility Research Center) pretende mostrar, pela primeira vez, o real tamanho dos Fundos Soberanos e seu impacto na economia. Além disso, o relatório almeja ajudar a disseminar melhores práticas de transparência no segmento.

O documento marca o aniversário de um ano da implementação dos "Princípios de Santiago" - 24 princípios estabelecidos pelos Fundos Soberanos com o objetivo de tornar suas operações mais transparentes, fazendo com que os fundos obedeçam às normas dos seus países de origem e ajudando a criar uma estrutura de governança que permita controles operacionais adequados e gerenciamento de riscos. O "código de conduta" foi criado para rebater críticas em relação ao segmento.

O estudo define um fundo soberano como uma grande quantidade de capital pertencente a um governo, e pelo qual o governo não tem compromissos financeiros - as fontes de capital são, geralmente, ativos acumulados com exportação de commodities ou reservas em moeda estrangeira.

Os dez maiores fundos soberanos foram analisados de acordo com seis principais critérios: estratégia de investimento, práticas de engajamento, governança, capacidades, práticas de governança ambiental e social e divulgação de informações. No total, os dez fundos acumulam US$ 2,2 trilhões.

Magnitude e impacto "Os fundos soberanos não são bons ou maus, mas seu tamanho chama a atenção e permite com que os seus movimentos afetem a economia", afirma Jon Lukomnik, diretor do IRRC. Apesar da grande quantidade de ativos gerenciados, o estudo mostra que o impacto dos investimentos dos fundos soberanos nos mercados globais de renda variável é menor, em torno de US$ 1 trilhão.

Apesar do tamanho considerável, a magnitude dos Fundos Soberanos e a porcentagem investida em renda variável são menores do que geralmente reportada pela mídia - consequentemente, seu impacto na economia também é superestimado. De acordo com o IRRC, o montante investido nos mercados de ações é aproximadamente metade do que se pensava. Além disso, vários fatores contribuíram para a diminuição do capital do segmento, como a crise e a queda na demanda por alguns produtos de exportação.

O IRRC destaca ainda que o termo "Fundo Soberano" não abrange a diversidade dos fundos analisados, seja em relação à missão, estrutura organizacional ou estilo de investimento. "Alguns foram lançados como um braço privatizado do governo, enquanto outros foram criados pelos Bancos Centrais para investir parte da reserva externa", explica o documento. Devido a essa variedade, qualquer generalização sobre o setor tende a ser imprecisa.

Avanços desiguais

De acordo com o relatório do IRRC, os Fundos Soberanos têm feito progresso em sua transparência. Mas os avanços não são unânimes, e ainda há grandes diferenças entre os fundos. "Enquanto aproximadamente metade dos dez maiores fundos atingiu um nível relativamente alto de transparência, o restante ainda precisa de iniciativas significativas para melhorar o cumprimento do código de conduta", afirma o documento. "Talvez esse relatório impulsione os fundos que ainda têm muito trabalho pela frente", comentou Lukomnik.

Ao mesmo tempo, poucos fundos divulgam suas políticas de engajamento para investimentos individuais nos quais eles têm grande participação. A ligação do segmento com as empresas também foi comprovada no estudo. Apesar de não ter encontrado exemplos controversos, o IRRC ressalta que a melhora da transparência em áreas críticas como governança, política e processos de investimento, permitiriam que os investidores e gestores tivessem informações mais adequadas sobre as intenções e ações dos fundos.

Por fim, o estudo mostrou que os fundos soberanos não têm estratégias para gerenciamento e investimento ambiental e social. "Como são investimentos de longo prazo, foco nesta área poderia trazer benefícios financeiros", conclui o documento.

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