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15/10/2009 - 19h45

Estratégia: para Orbe, investir em crescimento projetado é ficção científica

SÃO PAULO - Para os gestores da Orbe Investimentos, 2009 traz uma sensação de dejà vu. "Parece muito com o que já vivemos em 2003 - e, se isso for verdade, ficamos bastante empolgados, pois temos boa ideia do que pode vir pela frente", afirmam. Entretanto, a primeira semelhança não é exatamente positiva: o otimismo desenfreado - e não necessariamente fundamentado - de 2003, que se repete atualmente.

Apesar de ainda existirem boas perspectivas de investimento, em especial em empresas de médio porte, os analistas se mostram preocupados com o otimismo em excesso no mercado de renda variável. "O cenário atual nos deixa muito atentos e cuidadosos sobre aonde alocar o nosso capital disponível, e certamente gostaríamos de ver os investidores brasileiros exercendo mais prudência e disciplina. Não devemos aprender nada com a crise iniciada em 2008?", aponta a gestora.

Estratégia de gestão Segundo a estratégia da Orbe, um gestor nunca deveria mudar sua estratégia para se adaptar a diferentes cenários do mercado - considerando uma estratégia que traga resultados de longo prazo adequados.

Para fundamentar este argumento, os analistas apontam duas razões: primeiro, cada gestor tem um conjunto de conhecimentos, habilidades e experiências que faz dele bom em um tipo de filosofia e metodologia de investimento; "não existe investidor que possa fazer bem feito qualquer tipo de investimento", afirmam; da mesma maneira, os analistas apontam que é sempre muito fácil saber o que teria funcionado melhor a cada período do mercado; "saber antecipar como serão os próximos meses do mercado é um tipo de habilidade que não acreditamos existir", concluem.

Dessa forma, a Orbe mantém sua estratégia de gestão, com a expectativa de melhores resultados nos próximos anos - como ocorreu depois da crise de 2002-2003 para a gestora de investimentos.

Precificando a recuperação Para os analistas, diversas ações de empresas muito líquidas estão incorporando em seus valuations expectativas excessivamente otimistas, "já considerando um cenário futuro de calmaria e prosperidade tremenda, ou melhor, quase infinita".

Apesar de reafirmarem sua convicção no Brasil e no futuro próximo do País, os analistas apontam que há turbulências no caminho e que, por isso, não há sentido pagar pelas expectativas futuras: "este tipo de investimento onde a parcela de crescimento 'projetado' é a maior parte do valor estimado da empresa está longe do que nós consideramos investimento com margem de segurança", afirmam. Segundo a gestora, o melhor caminho é precificar as empresas pela capacidade atual de geração de caixa livre sustentável - não precificar crescimentos, melhoras relevantes de margens, consolidações setoriais ou qualquer outra projeção "de ficção científica".

Os analistas usam como exemplo Vale, Gerdau, CSN e Fosfértil para demonstrar que os valuations estão refletindo melhora dos resultados futuros. Comparando o valor da companhia e o lucro líquido trimestral (entre 2005 e 2009), a Orbe conclui que os valuations já passaram a considerar um nível de lucratividade bem a frente do que atualmente acontece com estas empresas.

No caso de Gerdau, os analistas apontam que enquanto a empresa já retornou a patamares de valuation mais altos que já havia atingido ao fim de 2007 e começo de 2008, seus resultados mergulharam - segundo eles, "de cabeça, rumo ao piso de uma piscina vazia". "Sabemos muito bem que o mercado antecipa os eventos, mas ao atual Enterprise Value próximo de R$ 50 bilhões, o mercado parece esperar que a empresa retorne rapidamente aos seus resultados exuberantes de 2007 e início de 2008 - algo que a nos parece bastante improvável".

Onde investir Entretanto, ainda existem oportunidades de investimento - em especial as empresas de médio porte. Usando exemplos de sua carteira de investimentos, a Orbe aponta a Kroton como top pick. "A empresa representa uma das mais, senão a mais, importante oportunidade da Bovespa atualmente, já que se encontra em uma posição ímpar para aproveitar um dos mercados com maior perspectiva de crescimento nos próximos anos no Brasil, e levamos todo esse potencial de graça, pois a empresa é ainda negociada abaixo do que consideramos ser seu preço justo", afirmam.

Outra aposta da Orbe é o banco Indusval. Segundo os analistas, apesar dos impactos negativos da crise, o foco em créditos de curto prazo permite maior controle dos clientes, entre outras particularidades da empresa, indica que o banco está pronto para crescer com bom retorno sobre o capital investido nos próximos anos. Além disso, os analistas destacam que parte considerável dos depósitos a prazo (CDBs) é de titularidade dos próprios sócios controladores e famílias, com custos em linha com o mercado: "esta é uma solução muito interessante, que ajuda na estabilidade do funding e dá tranquilidade de longo prazo", afirmam.

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