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20/10/2009 - 14h07

Gestão: Duna diz que oportunidades de crescer estão no Brasil, e não lá fora

SÃO PAULO - Depois de mais um mês positivo para os mercados globais de renda variável, os gestores da Duna Asset Management avaliam as perspectivas para o restante do ano, e apontam as principais oportunidades de investimento.

A primeira questão avaliada pelos gestores é o destino do capital injetado na economia global para aumentar a liquidez e eliminar o risco sistêmico, além de alavancar o setor público via expansão fiscal. "No caso específico dos países do G7, apesar de toda a expansão da base monetária, isso não está se transformando em concessões de novos empréstimos (ao contrário do que ocorre na China e, em menor escala, no Brasil)", apontam. Assim, nas maiores economias do mundo, o dinheiro extra permite com que as empresas acessem o mercado de capitais - e, com isso, recapitalizem seus balanços.

Dessa forma, a perspectiva para o fim do ano é um expressivo volume de emissão de dívida e ações. "O efeito desse alongamento de passivo e aumento da base de capital dos acionistas reduziu expressivamente a chance de transformar um problema de liquidez em uma crise de solvência para muitos setores do mundo corporativo", afirmam os gestores.

Inflação e taxa básica de juro

Em relação às perspectivas para a inflação, segundo os gestores, não há nada mais inflacionário do que a luta para evitar uma deflação. "Nesse exato momento, os países do G7 lutam contra uma deflação de salários, ativos e crédito. Portanto, devemos sim esperar que os respectivos Bancos Centrais sigam trabalhando com juros reais negativos por um bom tempo", afirmam. Quando considerando o cenário local, a Duna ressalta que começou a perceber desconforto por parte de alguns participantes de mercado em relação ao atual patamar do juro real. "É importante ressaltar que até 2008, em todas as vezes que tivemos um ciclo de aperto monetário, o objetivo foi desinflacionar a economia, o que implicou em calibrar a taxa de juros a um patamar contracionista em termos de crescimento econômico".

Entretanto, nos próximos dois anos, o cenário é bastante diferente. "A tarefa do Banco Central será impedir que a inflação ultrapasse o centro da meta - o que requer sacrifícios bem menores em função do ponto de partida", apontam os gestores.

Perspectivas macroeconômicas

Segundo a Duna, os fatores devem estar a favor da política do governo brasileiro. Entre as principais perspectivas dos gestores está a contínua apreciação do real - que, por sua vez, levará a uma dinâmica benigna para o comportamento das commodities na moeda nacional.

A recuperação da economia global - e, mais especificamente, sua força - continua gerando questionamentos. "A tese da rápida recuperação da economia mundial continua em voga, suportando os atuais níveis dos ativos de risco, na expectativa de assistirmos uma dinâmica robusta no consumo e investimento privado nos países do G7, o que implicaria ter uma economia mundial 'rodando' em um ritmo similar ao que assistimos no final de 2007", aponta a gestora de recursos.

Para os gestores, os considerados "lagging indicators" (que basicamente mudam após mudanças do cenário econômico, como por exemplo, dados de crédito e do mercado de trabalho) são, na verdade, leading indicators (que basicamente mudam antes de mudanças mais acentuadas do cenário econômico - ou seja, indicadores de tendência), e devem ter mais impacto do que se imagina na retomada da atividade econômica. "O esforço das empresas em tentar recompor margem operacional implica em redução de empregos e salários. Esse ambiente não corrobora com as teses de crescimento robusto do consumo privado e da receita das empresas", apontam. Assim, a tese da Duna é de que a recuperação nos países do G7 e na Europa será lenta.

A depreciação do dólar, por sua vez, tira a competitividade das exportações da Zona do Euro e do Japão. "Difícil imaginar Alemanha e Japão, países extremamente dependentes da demanda externa, crescendo próximo aos seus respectivos produtos potenciais impulsionados pela demanda interna e não pela corrente de comércio", afirmam os gestores. Assim, a queda da moeda norte-americana é mais um motivo para que a Duna aponte a improbabilidade de uma recuperação rápida. "O cobertor parece cada vez mais curto quando o assunto é ver G7 e emergentes europeus voltando a operar com plena capacidade e poder de preços".

O que isso significa para o Brasil

De acordo com a Duna, o cenário de recuperação lenta da economia global não é negativo para o País - ao contrário, a economia brasileira depende dessa retomada gradual. "Precisamos de uma economia mundial com capacidade ociosa e juros reais negativos no G7 para financiar, via poupança externa, a expansão do consumo e investimento privado no Brasil", apontam os gestores. "A oportunidade de crescer com lucro de 20 a 30% ao ano pelos próximos anos está aqui e não lá fora", completam.

Avaliando o atual patamar do Ibovespa no contexto, os gestores afirmam que o cenário não justifica o valuation das empresas que compõem o principal índice da bolsa brasileira. "Se estivermos certos em nossa avaliação, teremos uma excelente oportunidade, nos próximos meses, na geração de alpha, explorando esse ajuste de expectativas dos participantes de mercado em relação ao ambiente de negócios entre os diversos setores da bolsa".

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