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20/10/2009 - 15h20

IOF: saiba o que os analistas estão esperando com a volta da cobrança

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou na última segunda-feira (19) que a entrada de capitais estrangeiros passaria a ser taxada com o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 2% no Brasil.

A medida foi publicada logo cedo no Diário Oficial, e já incide sobre os investimentos em renda fixa e variável, sem distinção entre capitais de curto ou longo prazo. Apenas os Investimentos Estrangeiros Diretos ficaram isentos do imposto, que tem como objetivo diminuir a especulação sobre as ações brasileiras.

Há pouco consenso entre os especialistas quanto às consequências da medida. Ninguém sabe ao certo se haverá impactos no curto, médio e longo prazo: enquanto alguns analistas reiteram o otimismo e afirmam que pouca coisa irá mudar, outros enxergam um horizonte mais pessimista e turbulento com a cobrança da taxa.

Sinais de mudança?

Entre os objetivos da cobrança do IOF sobre os estrangeiros está retirar o excesso capital especulativo da Bolsa de Valores de São Paulo. De fato, no dia da cobrança, o desempenho no mercado de ações foi aquém do observado na véspera, e o Ibovespa mostra fortes perdas nesta terça-feira.

A opinião de boa parte dos analistas é que, em princípio, a medida trará um reflexo negativo à Bolsa, uma vez que o custo do capital estrangeiro irá aumentar. "Desta forma, poderá ocorrer uma queda no volume negociado, tanto com o menor fluxo de estrangeiros como com a possível migração para a negociação de ADRs de empresas brasileiras", observou o time da Link Investimentos.

A equipe da Itaú Corretora reforçou o cenário de maior procura pelos ADRs (American Depositary Receipts) brasileiros e, na análise da Socopa, o efeito que mais prevaleceu foi a possível dificuldade de capitalização. "O IOF é deletéria para as novas ofertas públicas iniciais, pois desestimula uma importante fonte de recursos das empresas brasileiras", avaliou a corretora. "Outro ponto ruim será a transferência de novos IPOs (ofertas iniciais de ações) para as bolsas estrangeiras. As large caps não enfrentarão dificuldades na colocação de papéis no exterior, mas as small poderão sofrer com certa escassez de capital".

Mercado de câmbio

Outro ponto que também foi pensando para retomar da cobrança da taxa foi o atual desempenho do mercado de câmbio, diante da expressiva valorização do real em 2009. Mais uma vez, os efeitos da taxação foram sentidos no primeiro dia da medida, e dólar comercial opera em alta forte desde a abertura dos negócios. "Mas, por várias razões, nós achamos que o real deverá retomar a tendência de alta", articulou a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares. Esperando poucos efeitos imediatos após a cobrança do IOF, a especialista lembrou que apenas os investimentos de curtíssimo prazo irão compensar na Bolsa, e, na renda fixa, a neutralização será através de juros maiores, pagos em reais.

"É preciso considerar ainda o fato de que a valorização do real perante as outras divisas reflete o atual cenário econômico do Brasil e do mundo, que não será alterado por conta de taxações pontuais", concluiu a diretora. "No final das contas, o maior efeito positivo da taxação deverá ser o aumento da arrecadação".

A MCM Consultores também sinalizou opinião parecida e disse que pode até ocorrer alguma pressão altista sobre a taxa cambial doméstica, mas o cenário ainda é de real valorizado. "Ademais, com o tempo, as instituições financeiras deverão criar alternativas de investimentos para fugir da cobrança do IOF".

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