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22/10/2009 - 17h02

Copom: sem nada de novo, Selic só deverá ser maior no segundo semestre de 2010

SÃO PAULO - Como esperado por todos, o Copom (Comitê de Política Monetária) manteve a Selic no patamar atual de 8,75% ao ano - mínima histórica - na reunião da última quarta-feira (22). A decisão foi sem viés e por unanimidade.

De surpresa mesmo, só a manutenção do discurso utilizado no último encontro: "esse patamar é consistente com um cenário inflacionário benigno, contribuindo para assegurar a manutenção da inflação na trajetória de metas ao longo do horizonte relevante e para a recuperação não inflacionária da atividade econômica".

Em meio ao cenário, a LCA Consultores divulgou relatório sobre a reunião, ressaltando a conservação do mesmo discurso, que veio alinhada com sua expectativa. Contudo, a consultoria destaca que o tom ortodoxo pode ter frustrado uma parte dos analistas, que enxergava um possível afrouxamento monetário em breve.

Elevação só em setembro de 2010

"As cotações de juros dos mercados futuros podem reagir em baixa moderada à decisão e, sobretudo, ao comunicado do Copom - que, ademais, nos levam a reafirmar nossa curva projetada para a taxa básica de juros", completa a LCA.

Dado que o cumprimento da meta de inflação aparentemente é confortável para 2010, os analistas da consultoria destacam que o Copom só deverá elevar a Selic após setembro do próximo ano, com avanço de 250 pontos-base até março de 2011.

Por outro lado, a meta de inflação para 2011 parece ser um pouco mais complicada de se chegar, à luz das previsões de uma retomada mais convincente da economia global e de ascendência nos preços das commodities, o que pressiona o nível geral de preços no Brasil.

Inflação não preocupa

Para a Gradual Investimentos, o Banco Central do Brasil "quis deixar claro que entende como razoável a atual taxa Selic frente o conjunto dos eventos da economia brasileira neste momento". Além da clareza, os analistas da corretora enxergam que o comunicado do Copom indica uma despreocupação com a trajetória futura da inflação, sugerindo manutenção da Selic na última reunião do ano, entre 8 e 9 de dezembro.

Em linha, a Ativa Corretora não prevê qualquer alteração na Selic até o final deste ano. "Nosso modelo aponta para a necessidade de alta na taxa básica de juros para o primeiro semestre de 2010", completam os analistas. No entanto, a instituição financeira destaca que, diante de uma mudança nos quadros do Copom e das eleições presidenciais, tal decisão flexível pode ser postergada, "com suas conseqüências indesejáveis".

Sem novidades

Segundo análise do Bank of America Merrill Lynch, existem poucos fatos novos com a decisão do Copom. "As novidades estão restritas a linguagem do comunicado, que é tradicionalmente concisa, e a ata da reunião, a ser publicada em 29 de outubro", completam os analistas do banco norte-americano.

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